Quando vi pela primeira vez um adesivo afixado no vidro de um veículo escrito “Lula, a nova praga da agricultura”, acreditei ser alguma piada nova ou brincadeira, já que era época do carnaval. Entretanto o carnaval passou e os adesivos permaneceram. Resolvi então me aprofundar e tentar desvendar os motivos, os personagens e o contexto daquele selo colado em alguns carros da minha cidade.
Primeiramente recorri ao “pai dos burros” (se é que alguém ainda se lembra dessa expressão) e lá busquei a palavra “praga”. Disse-me o dicionário, dentre outras coisas, que praga é um flagelo público, uma erva daninha, inseto ou moléstia que ataca plantas. A julgar pelo desenho do adesivo, concluí que estavam se referindo a esta última definição.
Passo seguinte, comecei a analisar os personagens da minha pesquisa. O primeiro personagem foi escolhido para conduzir os destinos de um povo, atuando nas áreas da saúde, educação, justiça social e dentre vários outros campos, para atuar na agricultura. Assim, durante menos de quatro anos levou energia elétrica ao meio rural para milhares de pessoas; viajou pelo mundo alinhavando acordos comerciais, melhorando as exportações, implementou uma linha de financiamento para o agricultor familiar, que, só na minha cidade, movimenta mais de 5 milhões de reais; destinou dinheiro de um fundo agrícola que só aqui alocou mais de 3 milhões de reais para auxiliar os cafeicultores que não se enquadraram na agricultura familiar; determinou à Companhia de Abastecimento do governo que comprasse a produção de alimentos dos pequenos e doasse às prefeituras para a merenda escolar e entidades de caridade, além de outras ações.
O segundo personagem, na sua maioria, é aquele que foi ao banco, inscreveu-se e habilitou-se para receber o crédito a juros subsidiados bem mais baixos que os de mercado; com o crédito aprovado para investimento na sua lavoura, sacou mais de 20 mil reais e ao contrário do que eu imaginava, não investiu na lavoura ou na propriedade rural, mas pegou a grana, comprou um carro que nem é de passeio e nem é de trabalho e, imediatamente, antes mesmo de retirar os plásticos dos bancos, pregou em lugar bem visível o já mencionado adesivo.
Chego então a algumas conclusões: felizmente personagens como o segundo ainda são minoria. Muita gente séria reconhece o esforço do primeiro personagem que, não resta dúvida, ainda precisa fazer muito mais por todos nós. E finalmente fico convencido que realmente exista uma praga na agricultura, uma erva daninha, um flagelo público, um inseto que ataca não só a planta, mas todo o adubo que se coloca para que ela possa prosperar. Só discordo quando dizem que a praga é nova. A praga é muito antiga e é graças a ela que os bons personagens estão morrendo no final da estória. O que eu posso fazer é esbravejar, lamentar e gritar: “Xô praga da agricultura”.
ISMAEL SILVA CÂNDIDO é advogado, funcionário público e atual prefeito da cidade de Ibiraci (MG)
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