Sonho


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Brincos nas orelhas, colar, pulseiras, pochete, boné na cabeça e sorriso no rosto. Alegre e extrovertida, Cláudia Jesus Cadan, 30, não passa despercebida pelas ruas do Centro. “Sou famosa”, diz. Francana, estava com vinte e poucos anos quando deixou o registro em carteira como vendedora de roupas para catar papelão. “Os patrões pegam muito no pé. Quis autonomia e escolhi a reciclagem. Isso não é vergonha, mas um meio de viver com dignidade.” Hoje, oito anos depois, Cláudia é responsável por coletar cerca de 200 quilos de papéis por dia. Entre 7 e 19 horas, “faça chuva ou faça sol”, ela enfrenta uma maratona pelas lojas do Centro e enche dois carrinhos. “Não tenho preguiça. Preciso trabalhar para ajudar minha mãe, que está doente. Gasto muita sola de sapato.” A catadora consegue cerca de R$ 500 por mês. Com o dinheiro, paga contas de água, luz, alimentação e remédios e, articulada, pensa no futuro da filha Lorraine, 10. “Tenho reservas no banco para ela”. Cláudia concluiu o ensino médio, queria ser policial, mas sua mãe não deixou. Seu maior sonho agora é montar uma fábrica de lingerie. “Quero ser dona de empresa e escolhi roupa íntima porque vende muito, mulher gosta. Se Deus quiser, vou conseguir.” Até lá, ela continua andando pelas ruas da cidade em busca de papel.

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