Pelo menos 1.260 jovens e idosos, homens e mulheres vivem do lixo em Franca. Com baixa escolaridade, vítimas do desemprego ou sem alternativas de trabalho, viraram catadores de papel. E é com o lucro vindo das sucatas, em média R$ 400 mensais, que conseguem sustentar suas famílias.
As jornadas são de no mínimo seis horas e chegam a doze horas por dia. Eles não medem seus trajetos, mas percorrem quilômetros da cidade sob todas as condições climáticas para juntar papelão e vendê-lo por apenas R$ 0,10 o quilo. Os catadores também arriscam suas vidas. É fácil flagrá-los puxando carrinhos ou carroças na contramão, na frente de ônibus, caminhões e carros por ruas movimentadas. São andanças em busca de lixo que já duram até 20 anos.
Morador do Jardim Pinheiros I, José Garcia da Silva, 56, é catador de sucatas há cinco anos e começou a vender recicláveis depois de perder o emprego. Com o dinheiro do acerto, comprou carroça e duas éguas e roda a cidade em busca de lixo. Seu Zé, como é conhecido, anda pelas principais avenidas e consegue cerca de R$ 400 por mês. “É um meio de viver e de me distrair nas ruas.”
Em outro ponto da cidade, no Jardim Paulistano, o casal Sebastião Januário, 39, e Vilma Diogo, 45, faz da venda de papéis o ganha-pão da família. Há oito anos, os dois trocaram a colheita de café na região e viraram catadores em Franca. Com baixa escolaridade, não encontraram opções melhores para se sustentarem. “Não gosto desse trabalho, mas sem leitura não consegui outra coisa. A gente peleja para viver”, disse ele, nunca freqüentou a escola e não lê nem escreve.
Vilma Diogo, sua mulher, estudou até a 4ª série e quer mudar de vida. “Sonho? Quero ganhar na loteria e deixar essa vida cansativa.”
A Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social não possui estimativas de quantas pessoas em Franca vivem de catar papel. Mas uma pequena amostra dos negócios com lixo permite medir a movimentação desse setor na cidade. Sozinhos, cinco grandes depósitos de sucata comercializam 880 toneladas de papéis a cada 30 dias. “Os papéis são o segundo material reciclável mais vendido e só perdem para o ferro e latinhas”, disse Bruno Silva, dono da Sucatas Dermínio.
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