Depois de vinte anos sem disputa, um mês de campanha, três dias de eleições e seis horas de apuração de votos, o Sindicato dos Sapateiros definiu o nome do seu presidente. Paulo Afonso Ribeiro (Chapa 1) foi reeleito com 1.833 votos.
Com 497 votos de diferença sobre seu adversário, o sindicalista continua no posto por mais três anos, porém, Milton da Silva (Chapa 2) promete recorrer e impugnar a eleição, alegando que alguns filiados votaram duas vezes.
O resultado da apuração, divulgado 14 horas após o fechamento das urnas, não convenceu os membros da Chapa 2, que chegaram a acionar a polícia na manhã de ontem e registraram boletim de ocorrência.
Não foram suficientes também, na opinião de Silva, as mais de oito horas (das 18 horas de quarta-feira às 2h30 de quinta) gastas na verificação da listagem dos votantes. Mesmo com equipes de sua confiança acompanhando o processo, Milton foi categórico em afirmar que houve fraude. “Nós não perdemos. Infelizmente a eleição foi fraudada. Isso foi constatado em assinaturas incorretas. Vamos para a Justiça garantir o direito dos trabalhadores”.
As assinaturas a que Milton se refere, de acordo com a Comissão Eleitoral, correspondem às 17 encontradas em duplicidade, ou seja, o voto foi colocado na urna de empresas e também na sede do sindicato. Um de cada voto duplicado foi cancelado.
Mesmo vitorioso, Paulo Afonso se irritou com as acusações. “Fomos reconhecidos pela categoria com quase 500 votos à frente. Infelizmente, no final, eles se negaram a assinar a ata que determina eleger nossa chapa”
Dos 3,5 mil associados aptos a votar, 3.309 participaram do pleito. Paulo conquistou 1.833 votos contra 1.336 de Milton. Outros 140 trabalhadores optaram por anular ou votar em branco.
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