Quem tem TV a cabo ou antena parabólica sempre se depara com alguns canais estranhos na telinha. Entre eles, os de leilão. São canais que passam horas vendendo produtos como tapetes, jóias, quadros e até gado.
Mas será que alguém assiste? Bem, o Comércio saiu para procurar quem realmente gosta desse tipo de atração e descobriu que não é nada fácil. Mas uma coisa é fato: todo mundo já assistiu pelo menos a um pedaço dos leilões, parando nos canais quando estão “zapeando” com o controle remoto nas mãos. Difícil é quem assuma que realmente assiste a leilão pela TV. Até quem não gosta fala com uma certa picardia. Afinal, há momentos em que é engraçado.
Uma coisa é unanimidade: os agropecuaristas assistem aos leilões de gado, principalmente os transmitidos pelo Canal do Boi, um dos de maior credibilidade na área. Bernardino Pucci Filho confirma a informação. “Eu assisto porque é a área em que atuo. Às vezes só baseio os preços. Outras vezes eu compro”, diz.
Questionado se não dá um certo receio fazer compras pela televisão (afinal, você não pode analisar o gado de perto), ele garante que não. “O trabalho deles é sério. Se o gado que chegar apresentar algum defeito, a gente devolve. Tem certificado de garantia”, conta. Sobre a entrega, dependendo do tipo de gado é mandado por caminhão até o comprador. Mas há casos em que é preciso ir até o local comprar.
Negócios à parte, para quem não entende nada de gado, tapetes persas ou jóias, assistir a esses programas pode ser uma tortura. A menos que consiga ser apreendido pelo olhar como apenas uma diversão.
A empresária Cida Vieira é uma das que se divertem com os leilões. “Eu sou apaixonada por jóias. Às vezes paro nesses canais e fico vendo aquelas coisas lindas na TV. São peças que chamam bastante a atenção”, diz. “Acho divertido. É muito interessante como eles fazem para persuadir as pessoas a comprar”, completa. A entonação da voz e os gestos das mãos parecem ser calculados para seduzir o comprador. Interessante também que o rosto de quem fala ou mostra anéis, colares, pulseiras e broches, nunca aparece.
Mas Cida garante que nunca foi convencida por esse jeito de falar. “Não acredito que as jóias sejam de primeira linha. Além disso, elas parecem maior na TV do que realmente são”. Embora não compre, o programa nem sempre é inútil. Para quem não tem como pagar as fortunas em várias parcelas que são cobradas, ou então não tem coragem de arriscar uma compra virtual, Cida dá uma dica. “A gente pode copiar alguns modelos e levar para um designer fazer”. Fica aí uma sugestão.
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