Apuração atrasa resultado no Sindicato dos Sapateiros


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Os números finais da eleição para a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de Franca e Região não haviam sido contabilizados até as 3 horas desta quinta-feira. Após três dias de votação, a expectativa era conhecer o novo presidente ainda na noite de quarta-feira, mas a longa demora no processo de verificação da listagem dos filiados retardou o resultado. Duas chapas concorriam. Pela Chapa 1, a ASS (Alternativa Sindical Socialista), o candidato a presidente é Paulo Afonso Ribeiro. A Chapa 2, a CSD (CUT Socialista Democrática), é liderada por Milton da Silva. A apuração dos votos ainda não havia começado por volta das 3 horas desta quinta e a previsão era de que terminaria em cerca de uma hora e meia. Até o fechamento desta edição, o nome do novo presidente não havia sido divulgado. O processo de verificação da listagem dos votantes demorou mais de oito horas. Por volta das 2 horas desta quinta-feira, as urnas saíram da sede do Sindicato para o Clube dos Bagres, onde aconteceu a contagem. A demora se deu porque a comissão eleitoral decidiu conferir a listagem de todos os filiados que tinham direito a participar do pleito e evitar duplicidade de votos. De acordo com a comissão, foram encontrados pelo menos 17 votos “duplicados”, ou seja, o filiado já havia votado na fábrica e depois foi constatado novo voto na urna do sindicato. Um voto de cada eleitor acabou impugnado. “Foi preciso fazer essa conferência, pois em todas as urnas onde foram detectados esses votos duplicados, a Chapa 1 tinha a presidência”, disse Milton da Silva. Já Paulo Afonso acreditava em possível manobra dos rivais para impugnar a eleição. “Acredito que isso (a demora na apuração) tenha sido feito pela outra Chapa, com o objetivo de, talvez, até tentar impugnar a eleição” e justificou que os membros de sua Chapa possuem experiência em eleições sindicais. A categoria, que engloba cerca de 17 mil trabalhadores, é a mais importante de Franca e região. Cerca de 3,2 mil filiados votaram, sendo divididos em 54 urnas que circularam em fábricas durante os três dias de votação (18 urnas a cada dia). O novo presidente, junto com 29 diretores, comandará o sindicato por mais três anos. A data posse da nova diretoria já está marcada. Será dia 25 de outubro, caso Milton seja o vencedor. Caso a Chapa 1 vença a eleição, no dia 2 de outubro, Odair Carrijo, presidente interino do sindicato, deixa o cargo e Paulo Afonso volta a ocupar sua cadeira, independente da posse da diretoria, já que está afastado para concorrer ao cargo de deputado estadual. SEM TUMULTO Apesar do clima de rivalidade entre os dois grupos, no último dia de votação não houve tumulto entre membros das duas chapas e transcorreu tranquilamente. Nas vésperas da eleição, Paulo Afonso denunciou que Milton teria utilizado dinheiro do sindicato para uso pessoal e não devolveu a quantia integralmente. Milton, por sua vez, se defendeu dizendo que ressarciu os cofres do órgão e acionaria a Justiça contra o companheiro de profissão após o período eleitoral. A troca de farpas foi além, com Milton acusando Paulo de usar a campanha sindical para buscar votos para sua candidatura a deputado estadual. Entre o grupo que compunha a claque de Paulo Afonso, havia membros do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) da região e da coordenação regional, de Ribeirão Preto e também lideranças sindicais de Campinas. Já o lado de Milton da Silva reunia sindicalistas de outras áreas de cidades como São José dos Campos e do pólo calçadista do Rio Grande do Sul, todos integrantes da CUT.

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