Assassino se apresenta, pede para ser preso e é liberado pela polícia


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Jovem de classe média, ARTR, 18, ligou para a polícia ontem e pediu para ser preso: “Quero pagar logo pelo crime que cometi”
Jovem de classe média, ARTR, 18, ligou para a polícia ontem e pediu para ser preso: “Quero pagar logo pelo crime que cometi”
O telefone 197 da Polícia Civil, destinado a receber denúncias anônimas, tocou por volta das 16 horas de ontem. Do outro lado da linha, um criminoso falou que havia matado uma pessoa em Franca e pediu para ser preso. “Quero me entregar e pagar pelo que fiz”. Os policiais foram ao seu encontro, conduziram-no à delegacia, mas não puderam atender à sua solicitação. Como não havia mandado de prisão contra ele, foram obrigados a liberá-lo. Chateado, o assassino confesso teve que voltar para casa. Antes de tentar se entregar, ele já havia sido baleado durante um roubo e ficou com seqüelas pelo corpo. Desgostoso com a vida, tentou se matar dando um tiro no próprio queixo. Só conseguiu ficar cego de um olho e com a bala alojada na cabeça. O protagonista desta história é o jovem de classe média ARTR, 18, morador do Centro. Em outubro do ano passado, ainda menor de idade, ele matou o mototaxista André Luiz Bastos Tozato, 27, durante uma mal-sucedida tentativa de roubo no Jardim do Éden. Chegou a fazer a reconstituição do crime e contou aos policiais como assassinou a vítima. Nunca foi preso por causa do latrocínio. Aparentemente incomodado com a situação, ontem ele resolveu procurar a polícia. “Fui ao orelhão, falei do crime que cometi e que queria ir preso, mas disseram que não havia mandado do prisão. O negócio é ter que esperar o julgamento e me apresentar depois. É melhor ir preso do que ser procurado.” O investigador Wellington Amato, da equipe de homicídios da DIG, confirmou que o criminoso foi investigado pelo latrocínio ocorrido no Jardim do Éden e que o processo já foi encaminhado ao Fórum para apreciação da Justiça. O delegado Eduardo Lopes Bonfim disse que a Polícia Civil já fez tudo o que tinha de ser feito. “Não cabe mais a nós dizer se ele tem que ser preso ou não. Temos que agir dentro da lei. Só podemos prender uma pessoa quando ocorre o flagrante ou por meio de um mandado de prisão, o que não é o caso.” O diretor de serviços do Fórum, Douglas Quintanilha, disse ao Comércio que o processo está tramitando e ainda não foi julgado. “Como ainda não saiu decisão, não há o que cumprir. Se ficar comprovada a participação do acusado no crime, ele pagará assim que for sentenciado.” O homem que pediu para ser preso será ouvido terça-feira pelo juiz da Vara das Execuções Criminais, José Rodrigues Arimatéa. Questionado sobre os motivos pelos quais pediu para ser preso, o criminoso disse que não poderia responder. “Sobre isso não quero falar, não. Quero ser sentenciado logo e pagar pelo meu crime”. A polícia acredita que ele esteja sendo ameaçado ou enfrentando algum tipo de problema nas ruas.

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