Quanto mais alto melhor. Isso é o que importa para quem quer praticar o rapel, uma atividade que só consolidou adeptos desde a conquista da montanha rochosa conhecida como “Dedo de Deus” (1.652 metros), em Teresópolis (RJ), no ano de 1912. O quase esporte, já que ainda não tem certificação oficial do governo federal, proporciona aventura e contato com a natureza. Na região, a prática vem sendo impulsionado, principalmente, pelo número de cachoeiras existentes entre Rifaina e Franca.
Segundo levantamento de monitores dessa prática, há mais de 40 quedas d’água. Somente no parque ecológico em Pedregulho estão catalogadas nove e em Cristais Paulista pelo menos mais duas.
Uma das cachoeiras mais freqüentadas é a do Fuzil, localizada na Fazenda São José, em Igaçaba, e tem 62 metros de altura. No começo desta semana, lá estava um grupo de 32 pessoas, que chegaram logo pelas 10 horas do domingo. Após vencerem a subida com um treking, caminhada em meio a trilhas, todos tiveram o privilégio de sentir o melhor da natureza. O programa só acaba por volta das 17 horas.
“É uma sensação de liberdade e a oportunidade de se livrar do estresse do dia-a-dia”, disse o escrivão Sebastião Presoto, 37. Essa foi sua terceira descida de paredões e ele não vai sozinho. Levou o filho, Gabriel Rocha, 7. “Ele fará aniversário na próxima semana e esse foi o presente dele.”
Os dois servem de exemplo que a técnica vertical atrai cada vez mais pessoas, não importa a idade. A Rota 334, uma empresa formada há dois anos nesse setor, faz as estatísticas. Quando foi montada, trabalhava com até seis aventureiros. Atualmente o número mínimo é de 12. “As pessoas passam a ter confiança e começam a surgir monitores treinados na região. Nessa prática é preciso oferecer 200% de segurança”, comentou o monitor Carlos Roberto Goulart, 45, o “Carogo”.
Ele começou a praticar técnicas verticais há três anos, instigado por um amigo. “Tinha medo de altura e superei depois que fiz rapel. Você trabalha com o psicológico e faz as pessoas superarem muitos de seus medos”.
Mas como outro esporte que oferece perigo, quase sempre fatal, o técnico em turismo, certificado pela Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) e no ramo de ecoturismo há 11 anos em Altinópolis, Clodoaldo Silva dos Reis, 27, orienta. “As pessoas precisam conhecer os monitores, saber se as empresas oferecem seguro e perguntar sobre a experiência de quem presta o serviço.” As descidas custam em média R$ 45.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.