Mais de 1,2 mil pessoas vivem do lixo em Franca


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Romildo Garcia Vilar é visto em meio às montanhas de sucatas no Ferro-Velho que herdou do pai: negócios no mundo da sucata
Romildo Garcia Vilar é visto em meio às montanhas de sucatas no Ferro-Velho que herdou do pai: negócios no mundo da sucata
Romildo Garcia Vilar, 48, é proprietário do Ferro-Velho Aeroporto III, depósito com mais de 40 anos. Ele estudou até a 4ª série, é humilde, mas gabaritado na arte de negociar sucatas, vive desse negócio desde os 6 anos, assumiu a empresa do pai há 28 anos. Foi comprando e vendendo lixo que criou os três filhos e construiu um patrimônio de fazer inveja. Com o dinheiro vindo dos papelões, latinhas e plásticos, Romildo adquiriu oito casas, três terrenos e 44 caminhões. “Gosto do que faço. Como acompanhei meu pai desde criança, aprendi a administrar e conquistei tudo o que tenho.” O pai dele começou a catar recicláveis em sacos, carregando-os nas costas, passou para os carrinhos de mão e, mais tarde, montou o ferro-velho dirigido hoje por Romildo. A empresa emprega 46 funcionários, incluindo os três filhos, noras e o irmão de Romildo. Os salários variam de R$ 538 a R$ 817. Pelos cálculos do dono, todo o processo de reciclagem (da coleta nas ruas à chegada na indústria) no Ferro-Velho Aeroporto III envolve cerca de 10 mil pessoas em Franca e região. “É muita gente vivendo do lixo reciclável. Até estendemos nossos negócios para outras cidades e hoje já cobrimos um raio de cem quilômetros a partir de Franca.” Todos os dias, funcionários buscam objetos em Ituverava, Pedregulho, Rifaina e levam fardos de papel, plástico e latas para Ribeirão Preto, Orlândia, São Carlos, Piracicaba, Porto Ferreira, Guaíra, etc. Sozinho, Romildo Vilar compra e revende, em média, 880 toneladas de sucatas a cada mês, mas não revela quanto fatura por medida de segurança. Com trajetórias semelhantes à dele, outros depósitos garantem negociação intensa na compra e venda de recicláveis no município. Na prefeitura, dez estabelecimentos do gênero estão registrados, mas os comerciantes do ramo estimam que, pelo menos, 30 locais trabalhem com sucatas na cidade. Não há estimativas oficiais, mas apenas os cinco maiores sucateiros da cidade arrecadam juntos em média 2.300 toneladas de recicláveis por mês, que geram mais de R$ 320 mil. São produtos comprados de cerca de 1.200 catadores e fábricas e revendidos para empresas de reciclagem. A quantidade poderia ser ainda maior. Os proprietários dizem que o setor está em crise. O próprio Romildo empregava 75 funcionários e, desde 2005, foi obrigado a reduzir para 46 porque os “negócios estão devagar”. Bruno Silva, 19, proprietário da Sucatas Dermínio, também sentiu os reflexos da crise em seus negócios. “Com a queda do dólar, as empresas exportam menos, algumas fecharam as portas e, com as fábricas paradas, menos objetos são fornecidos.” Atualmente, o estabelecimento dele, em atividade há 19 anos, movimenta 800 toneladas de 20 tipos de materiais por mês. PRESERVAÇÃO A reciclagem não se restringe à questão econômica, mas está diretamente ligada à preservação do meio ambiente. Rosaura Zúccolo, arquiteta especializada na área ambiental, elencou as principais benfeitorias do processo. “Reciclados, os materiais deixam de ser depositados no aterro sanitário, o que reduz a poluição ambiental, pois alguns levam mais de 300 anos para se decompor e outros nem se degeneram”, disse. Romildo Vilar, o “rei da sucata”, está ciente desses pontos. “Faço o que gosto e ainda ajudo a preservar a natureza”, disse ele que sonha em se aposentar. “Esse desejo já tem data: 19 de outubro de 2009. Quando me aposentar quero entregar o negócio para meus filhos.”

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