A cidade mais fria do Brasil


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Vista da Igreja Matriz da bela São Joaquim, capital da maçã e cidade mais fria do Brasil
Vista da Igreja Matriz da bela São Joaquim, capital da maçã e cidade mais fria do Brasil
Considerada a cidade mais fria do Brasil e capital da maçã, São Joaquim é bastante disputada no inverno por turistas de todo o País em busca de neve. As nevascas geralmente ocorrem entre junho e agosto, estendendo seu branco lençol sobre os montes, telhados, montanhas, planaltos, vales e taipas centenárias, proporcionando, assim, uma visão emocionante. Situada no planalto catarinense, a bela cidade pode ser alcançada por dois caminhos distintos. Vindo do litoral, por uma estrada de perder o fôlego: a Serra do Rio do Rastro. Os velhos habitantes a chamam de Serra do 12, pelo número de curvas em forma de grampo. Antigo caminho de tropeiros, para o comércio na região serrana/litoral, foi estrada de chão batido. Hoje, a pavimentação na serra é em concreto canaletado, corrugado, para impedir que a geada forme placa de gelo. Iluminação moderna, um pequeno museu contando a história do caminho. Pelo caminho, casas com pedras sobre o telhado, para que o vento não carregue a cobertura. Um mirante, no alto, quando se atinge Bom Jardim da Serra, dá visão panorâmica da estrada, da encosta, e em dias límpidos, do Atlântico. A impressão é que o corte é de 90º, o que permite o estudo geológico com detalhes. A caminho de São Joaquim, o Parque Nacional que leva o nome da cidade. Araucárias formam a principal cobertura, e os xaxins, a parte baixa. Gralha azul, quero-quero, tarutaca voam aos pares pelo azul límpido, refugiando-se nas árvores mais altas. O quero-quero, em pastagens, colocam os ovos no chão, que defendem com vôos rasantes aos intrusos que se aproximam. Surgem as macieiras. Conforme a época, cobertas de flores, vermelhas de frutos, ou galhos desnudos, no repouso invernal. Casas de madeira, com fogão à lenha, lançando fumaça branca que aponta o céu. O fogão serve como aquecedor (central), pois fica na sala, e espalha o calor por todos os cômodos. Na chapa, chaleira com raspa de maçã, que dá um chá agridoce, marcante. Aquece o corpo, e a conversa ao pé do fogo. Acompanha rosquinha de coalhada, bijagica, rosquinhas, com variedades e sabores diferentes, delicados. Via Lages. Novo Parque, Estadual: Pedras Brancas. Durante muito tempo, 75 km de chão batido, curvas apertadas. O meio do caminho, a ponte sobre o rio Lava-Tudo, límpido, no meio de pequeno vale, rodeado de pinheiros-do-paraná. A estrada corta fazendas. Algumas pousadas rurais, com um detalhe: funcionam como áreas de criação, o que nos coloca no meio de autênticos campesinos. Direito a fogo de chão, pinhão na chapa, ou sapecado nas grinfas (agulhas do pinheiro), chimarrão, leite tirado na hora. Imperdível, mas estranho, é o camargo: pó de café no fundo da caneca, o leite espumante tirado direto. Variações com açúcar cristal, baunilha, conhaque, ou o café tradicional, coado na hora. Precisa mais? Então, vá lá: nevadas esporádicas, cobrindo de branco as ondulações planaltinas. Árvores brancas, quase européias. A população, durante muito tempo, pouco contato tinha com “os lá de baixo”. São unidos, gregários, solidários. Com a mudança na economia extrativista-criatória, vieram os nisseis, paulistas, paranaenses, gaúchos: o melhor clima para a maçã. São Joaquim é a capital brasileira da maçã, num desenvolvimento espetacular, proporcionado pelas pesquisas da Epagri (Estação Experimental de Fruticultura). Mais de 200 tipos de maçãs foram (e são) pesquisadas. Afirma-se que a maçã variedade Fuji é considerada a mais saborosa do mundo. Caso ache exagero, é simples - experimente uma. Será mais um novo defensor do pomo. Você poderá visitar uma Cooperativa, com imensos barracões, onde os frutos são descarregados, lavados, classificados por tamanho, forma, cor, peso. Tudo com o mais moderno equipamento. E as câmaras frigoríficas, com muita umidade, e temperaturas perto de 0º, conservam as frutas que abastecem o mercado interno, no ano inteiro, e já exportamos. Também percorrer uma grande propriedade, como a do Hiragami. Ou, pequenas: é o caso do Sítio 3 Pedrinhas, 2 km da cidade. O João Figueiredo, além de técnico, é um gentleman para receber visitantes. Ou o Pomar do Odilon, por coincidência, irmão do João. São apegados à terra e às plantações, tratadas com muito carinho. Cidade religiosa, por princípio, ergueu uma bela Igreja Matriz em basalto, abundante no município. Rocha escura, pesada, dura, também é chamada localmente de pedra-ferro. E dela se fazem esculturas, espalhadas pela cidade. Há mais: pousadas ecológicas, passeios no Vale da Neve (ou Snow Valley, como o gringo proprietário a chama. Veio, apaixonou-se. Voltou e ficou). Os mais aventureiros podem fazer cavalgadas, ou passeio (motorizado) na Serra do Corvo Branco, estrada que se espreme em um paredão de cada lado. Ande pela cidade. Tire fotografia junto ao Posto de Informações Turísticas. Há um relógio e termômetro. Com sorte, poderá ver temperaturas abaixo de 0º. Haverá uma rodinha de nativos por lá. Falar cantado, o poncho como traje (quase) obrigatório. Se for de lã (carneiro puro), os desenhos serão identificáveis como artesanato. Linha de roca e fuso, tecida em teares rústicos no “interior”. O mineiro diria “roça”. O paulista, “sítios”. Para começar uma conversa, peça uma informação, e comente sobre o tempo: receberá uma aula sobre o assunto. Claro, o parceiro discordará. E tem início um papo gostoso, que poderá terminar com cafezinho na esquina. Você descobrirá, então: o frio da serra é compensado pelo calor com que será recebido. Para encerrar, uma visita à Epagri. E na saída, não deixe de comprar uma pequena caixa de maçã joaquinense. Terá um perfume no resto da viagem. Só existe um problema com São Joaquim: sem dúvida, ficará pensando na cidade, e quando poderá voltar, levar os amigos, parentes, a um rincão distante 850 km de São Paulo. São Joaquim será uma querência no seu roteiro.

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