Voando em 2 rodas


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Grupos distintos se misturaram e compuseram o eclético público da 5ª edição do Moto Fest Batatais. As tribos se encontraram no último fim de semana no recinto da Festa do Leite, onde, além de interagir, puderam assistir a shows sobre duas rodas, apresentações de rock e competições. À primeira vista, todos os freqüentadores parecem iguais. Eles fazem barulho, gostam de um som pesado, comem, bebem e passam a impressão de que são semelhantes. Ledo engano. O caráter tribal eletivo, que permite as muitas variações dentro de uma mesma reunião, faz dos encontros de motociclistas verdadeiros festivais de diversidade e o melhor de tudo: grupos distintos convivem harmoniosamente no mesmo espaço. O encontro em Batatais acolheu os mais diferentes perfis. De jovens a idosos, de adolescentes a crianças, de renda alta e modesta, enfim, todos. Para fazer parte da tribo de motoqueiros, o que vale mesmo é o prazer de enfrentar a estrada a céu aberto e o gosto insaciável pela liberdade. Assim pensa o casal Antônio Alberto da Silva e Maria Inês Barreto Perfeito. Para eles, a viagem de moto de duas horas e meia de Uberaba a Batatais foi um prazer indescritível. “Gosto de motos desde os 10 anos de idade. Somos apaixonados por motos. Tenho até hoje a que eu usava para passear quando jovem”, disse Silva. O casal, ele advogado e ela professora, afirmou que durante os encontros deixa os filhos adolescentes em casa e cai na estrada. “Agora que estão criados podemos aproveitar mais”, disse Maria Inês. O que é preciso para enfrentar horas de estrada sobre uma moto? Maria Inês dá as dicas. Segundo ela, o “kit básico” inclui colete, jaqueta, botas e luvas, tudo em couro; cachecol e um bom óculos de sol. “Não dispenso também os balangandãs”, disse a professora, mostrando os muitos colares, broches e pulseiras. O casal afirmou gastar em média R$ 500 em encontros com duração de dois dias. O bancário batataense José Renato Moreira Silva pertence a uma tribo diferente. Ele está no grupo que comparece com o visual mais trash dos encontros. Assim como as roupas, seu veículo, um triciclo todo enfeitado, desperta a curiosidade por onde passa. “Faz quatro anos que montei o meu. Por onde passamos as pessoas sempre gostam.” No triciclo há de tudo um pouco, de chaveiros a chifres. Segundo Moreira, tudo começou com uma égua de pelúcia que está sobre o guidão até chegar ao “enfeite” mais recente: um caixão com um boneco que representa “Chucky”, personagem do filme Brinquedo Assassino. O motoboy Carlos Augusto Galo também faz parte dos pilotos de triciclos. “Vou a todos os encontros que posso”. Galo, que mora em Ribeirão Preto, disse que vai em média a 15 eventos de motos por ano e afirma ser este o melhor tipo de lazer. Para quem pensa que criança não tem vez nos encontros, se engana. Ronaldo Santos saiu de Campinas só para levar os filhos Lucas, 10, e Bruno, 13, para participar das provas de supercross. “Eu sempre gostei e eles começaram a participar também”, disse Ronaldo. Em um “mundo à parte”, há também aqueles que são chamados de “agregados”. Trata-se do público que nada tem a ver com os veículos sobre duas rodas. Muitos deles provavelmente sequer subiram em uma moto alguma vez na vida, mas ainda assim encontram diversão. Em Franca, os eventos do gênero devem acontecer entre outubro e novembro. Aguarde!

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