Em menos de 50 dias, quatro pessoas atendidas no Pronto-Socorro “Dr. Janjão” morreram sob condições suspeitas. Para as famílias, o mau atendimento recebido no PS foi decisivo para que isso acontecesse. Somam-se a estes óbitos várias denúncias, quase que diárias, da população. O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, manifestou-se, na maioria das vezes, dizendo que os procedimentos do PS são normais. Já seu chefe, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB), irritou-se com os questionamentos e até ofendeu um paciente, ao qual se referiu como “bêbado”.
Um dos casos mais emblemáticos foi o do sapateiro José Carlos de Lima, que morreu em 19 de junho. Pesando mais de 300 quilos, passou meses sofrendo com falta de ar e dores pelo corpo. Passou várias vezes pelo “Dr. Janjão”. Lima precisava de tratamento médico especializado para obesos, mas, como não podia pagar, aguardava atendimento pela Rede Pública. Dois dias antes de sua morte, Alexandre Ferreira chegou a prometer que examinaria seu caso. Se o fez, foi de maneira tardia.
No mesmo dia, morreu o garoto Leonardo da Silva Santos, de 13 anos, vítima de complicações de uma catapora, doença que, atualmente, raramente mata. Antes do óbito, Leonardo foi atendido por duas vezes nas UBSs do Jardim Aeroporto e no PS “Dr. Janjão”. O secretário Alexandre Ferreira, na ocasião, não atendeu a reportagem.
Outra morte foi a do bebê Jardel Messias Gonçalves, de 4 meses, em 11 de julho. A criança passou várias horas no Pronto-Socorro Infantil, com febre alta e convulsões, aguardando transferência para a Santa Casa, não resistiu e morreu. Dias depois, ficou confirmado que a causa da morte foi meningite. Ferreira disse à época que a transferência não aconteceu porque a pediatria da Santa Casa estava lotada. Não mencionou sequer a possibilidade de ter comprado leito em outros hospitais.
Na última segunda-feira, a vítima foi Paulo Sérgio Meira da Silva, 21. Com um tumor no cérebro, o rapaz passou mal e foi levado ao PS “Dr. Janjão”. Mesmo diante da gravidade do caso e do histórico de internações, os médicos do PS não o encaminharam à Santa Casa. Só o fizeram após Paulo Sérgio sofrer parada respiratória e entrar em coma profundo. O técnico teve a morte cerebral declarada na sexta-feira (Leia mais na página A–10).
Alexandre Ferreira, com os relatórios do PS em mãos, deu a versão oficial da prefeitura sobre o atendimento, mas nem cogitou ouvir familiares.
O prefeito Sidnei Rocha (PSDB) perdeu a linha ao ser questionado sobre um episódio ocorrido no “Janjão” na quarta-feira. O aposentado Edionílson Rodrigues da Silva, 32, chegou ao PS com dores estomacais. Caiu de uma maca na sala de observação e sofreu traumatismo craniano. Teve melhor sorte que os demais e, após internação na Santa Casa, já teve alta e passa bem.
Ao Comércio, Rocha disse que Silva não se machucou dentro do PS, versão confirmada até mesmo por sua assessoria de imprensa.
Pior: afirmou que o aposentado caiu na rua porque estaria bêbado. “O cara estava bêbado... Ele caiu do lado de fora, bêbado”.
SOLUÇÃO?
O Ministério Público, diante de tantas denúncias, resolveu agir. Solicitou um dossiê à prefeitura sobre as condições do PS e a qualidade do atendimento que é disponibilizado aos usuários. Com base no que for apresentado, decidirá que medidas tomar para acabar com as mortes.
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