Quem não gostaria de ser prefeito?


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O vereador Joaquim Ribeiro não descarta nem confirma sua candidatura para prefeito, em 2008: “Quem não gostaria de ser o prefeito de sua cidade? Eu penso que isso é uma coisa para ser discutida no futuro”
O vereador Joaquim Ribeiro não descarta nem confirma sua candidatura para prefeito, em 2008: “Quem não gostaria de ser o prefeito de sua cidade? Eu penso que isso é uma coisa para ser discutida no futuro”
<p>Do alto de quase sete décadas de experiência, o vereador e médico Joaquim Ribeiro fala sobre seus planos para o futuro com propriedade e clareza. Ribeiro não nega que servir Franca, se possível como comandante máximo da cidade, é um projeto que ele tem há muito tempo, desde a década de 60. Em entrevista ao Comércio, o vereador mais votado da última eleição falou sobre sua atuação na atual legislatura da Câmara Municipal.</p> <p><br />Não pôde deixar de comparar esta safra de vereadores à de outro mandato em que também esteve presente, entre 1993 e 1996, e de dar melhores adjetivos àquela. Ribeiro fez um longo relato de sua trajetória política de quase 40 anos. Revelou, inclusive, a principal razão que, a seu ver, fez com que perdesse as eleições de 1996, quando tentou a prefeitura. Depois de três meses buscando o apoio do então prefeito Ary Balieiro, acabou não concretizando as negociações por força de pressões partidárias. E esse foi o erro.</p> <p><br />A recente escolha em não sair candidato a deputado estadual também foi abordada pelo vereador. A opção teria sido resultado da vontade de cumprir seu mandato na Câmara e do receio em atrapalhar outros que decidiram enfrentar a disputa. Há quem diga que tudo não passou de um recuo com vistas às eleições de 2008, em que, aí sim, poderia realizar a aspiração de ser prefeito. </p> <p><br />Mas Ribeiro não confirma a idéia. Nem mesmo a recente votação expressiva ou as privilegiadas condições que seu partido, o PSB, possui no município de Franca fazem-no admitir a intenção antes da hora. Reservado, concentrado e precavido, ele prefere postergar quaisquer anúncios e se esconde atrás da experiência para dizer que um outro companheiro, mais jovem, pode surpreender a todos e ser o representante da legenda na próxima disputa. </p> <p><strong>Comércio da Franca - O senhor foi o vereador mais votado da última eleição. Depois de 19 meses, está satisfeito com o andamento do mandato?<br />Joaquim Ribeiro</strong> - Eu estou satisfeito com a minha atuação pessoal. Sempre procuro agir em benefício da coletividade dos cidadãos sem deixar projetos pessoais passarem à frente disso. Sempre me guio tutelado pela razão e pelos interesses da minha cidade. A prova maior dessa postura foi exatamente agora, quando abriu-se a possibilidade de me candidatar a deputado estadual, com boas chances apontadas pelas pesquisas, e eu, em nenhum momento, me deixei levar e abandonei o que eu acho que eu preciso exercer na Câmara. </p> <p><strong>Comércio - Permanecer como vereador foi uma das razões para não sair candidato. Quais foram as outras?<br />Ribeiro -</strong> Foi uma decisão complicada, mas tenho convicção de que foi a correta. Pude até mesmo preservar outros concorrentes, os nossos deputados estaduais. Imagina se minha candidatura rouba votos de outras e a cidade perde representação. Me elegendo ou não, eu ia tirar votos dos outros candidatos. E nós temos que eleger dois ou três deputados, com uma votação expressiva, que é para que eles tenham força na hora de brigar na Assembléia. (pausa). Eu tive 7.288 votos para vereador. Sequer cumpri a metade do meu mandato. Não vou sair para fazer carreira política, até porque essa não é a minha profissão.</p> <p><strong>Comércio - E as pressões do partido para que houvesse a candidatura?<br />Ribeiro -</strong> A minha vida foi sempre assim. É claro que os amigos pediram que eu saísse candidato. Eu simplesmente falei para eles: “Olha, eu tenho 68 anos. Se eu tivesse 30 ou 20, certamente que eu já estava no time jogando”. Foi assim na primeira eleição de que participei para prefeito, novo ainda, com vinte e poucos anos, não me lembro o ano (a eleição aconteceu em 1968). Trinta dias antes resolvemos disputar e ainda conseguimos incomodar. Se tivesse mais um mês de campanha, daria para vencer. Mas o crescimento não foi suficiente e o Lancha (José Lancha Filho) ganhou a eleição. Depois, em 1972, eu fui vice-prefeito de Franca e o Doutor Hélio Palermo foi o prefeito. Depois dessa época aí, eu só voltei à política em 1992, quando me candidatei a vereador. E também fui o mais votado. </p> <p><strong>Comércio - Quais as diferenças daquela legislação e da atual?<br />Ribeiro -</strong> A Câmara daquela época, com 21 vereadores, trabalhava com muito mais força do que a atual. Não sei se pelo maior número, mas pelas pessoas. </p> <p><strong>Comércio - Falta experiência aos atuais vereadores? Como ex-presidente da Câmara, o que o senhor acha da administração de Marcelo Mambrini?<br />Ribeiro -</strong> Em 93 e 94, fui presidente da Câmara. Iniciei naquela época uma nova maneira de administrar. No primeiro mês, coloquei o boletim de contas lá fora. Os vereadores ficaram assustados: “Onde já se viu. Isso é uma coisa interna. Tem a imprensa”. Eu falei: “Não, nós temos que mostrar o que acontece aqui”. Devolvi um mundaréu de dinheiro para o Dr. Ary (Balieiro, então prefeito de Franca). Então foi o início de uma nova maneira de dirigir. Diferente de hoje. Quando nós recebemos verbas para 21 vereadores e somos só 15, então sobrou um dinheiro e foi dado como economia. Mas (Mambrini) é um moço novo, muito entusiasmado e com o tempo ele vai aprendendo algumas coisas. Tudo é motivado pelo entusiasmo de servir. Ele vem de uma formação militar e o presidente, pelo menos na teoria, pode tudo. Cada um faz o que acha que deve. E eu, certamente, não faria da mesma forma. </p> <p><strong>Comércio - Depois, em 1996, o senhor tentou novamente a prefeitura. Como foi?<br />Ribeiro -</strong> Em 96, eu me candidatei a prefeito e perdi para o Gilmar (Dominici). A responsabilidade de não ter ganho foi só minha. Primeiro porque o Gilmar queria ser meu vice de qualquer jeito. Mas estava tudo amarrado e o Dr. Ary me via com muita simpatia. Eu levei uns três meses para administrar o apoio dele. No dia que eu consegui o apoio, não levou meia hora e eu recebi telefonemas de pessoas do meu partido (na época, PSDB) que me disseram as coisas mais absurdas. Nesta hora, eu perdi a eleição. Eu simplesmente tinha que ter feito as coisas a minha maneira e mantido o apoio (de Ary). Mas acabei subindo no gabinete do Dr. Ary e dizendo que eu não podia cumprir com o que vinha sendo tratado há três meses por pressão de fulano e beltrano. Então, perdi a eleição nesta hora. Se o Dr. Ary me apóia, o Gilson (de Souza) não seria candidato (sem Joaquim, Ary Balieiro declarou apoio a Gilson). Eu debito só a mim essa perda, até porque eu não tive a clareza de fazer as coisas a minha maneira.<br /></p> <p><strong>Comércio - Tudo o que foi relatado não o credencia a tentar de novo? Muitos o apontam como o sucessor do prefeito Sidnei Rocha (PSDB).<br />Ribeiro -</strong> Eu devolvo a pergunta. Quem não gostaria de dirigir sua cidade? Quem não gostaria de ser o prefeito de sua cidade? Como eu me orgulho de ser vereador, qualquer um gostaria disso. Mas eu penso que isso é uma coisa para ser discutida no futuro, até mesmo porque, depois de dez anos, voltei a ser vereador por um projeto de um partido, que é o PSB. O que corria na cidade é que eu sairia candidato, conseguiria uma boa votação, impulsionaria o partido, mas ele não elegeria nenhum vereador. Elegemos três. E eu saí justamente para impulsionar os mais jovens a ir para frente. Tive uma votação expressiva por generosidade do nosso povo. Alguns podem dizer: “Com 68 anos, por que você não fica quieto e vai pajear seus netos?”. Porque eu acho que nós temos que ter um projeto para a nossa cidade que pense no futuro. Idéias para 5, 10, 20, até 50 anos. E é isso que eu planejo para Franca. </p> <p><strong>Comércio - O fortalecimento do partido, que é fruto direto da sua motivação, a candidatura de Marco Aurélio Ubiali a deputado federal com chances de se eleger, um PSB forte como nunca se viu em Franca. Tudo isso não colabora para que o senhor possa realizar esses planos a partir da próxima eleição?<br />Ribeiro -</strong> Não digo que seja eu, mas alguém jovem do PSB que tenha entusiasmo. A gente poderá assessorá-lo nessa coisa, tocar essa cidade para frente.</p>

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