Sem telhado. Sem água. Sem portas. Sem banheiro. Sem encanamento. Sem torneiras. Sem comida. O endereço é Rua Doutor Washington Luiz, 1.377, no Jardim Boa Esperança. Esperança, aliás, é o que tem movido cinco jovens irmãos. Vanílson, 24, Adaílson, 23, Éder, 19, e os gêmeos Maria, 17, e José Cantanhede Silva vivem naquelas condições há cinco dias.
Com o pagamento do aluguel (R$ 170) atrasado há três meses, dizem que foram avisados informalmente pelo proprietário para deixarem o imóvel até o fim de julho. Sem fiador e desempregados, não conseguiram outro teto para morar. Na segunda-feira passada, foram surpreendidos com pedreiros destruindo a casa.
Eles tiraram as telhas dos cômodos, arrancaram as portas dos banheiros (um na casa dos fundos) e da entrada, quebraram o encanamento e os vasos sanitários enquanto os moradores e móveis ainda estavam no local. “Acordei e cadê o banheiro? Queriam quebrar o teto e a parede da sala com meu irmão dormindo lá e só não fizeram porque ameacei chamar a polícia. Quebraram para ver se saíamos”, disse a estudante Maria.
A família mora na casa há dois anos, mas os problemas com o pagamento do aluguel começaram meses depois da morte da mãe. A sapateira Alzemira Cantanhede, 41, morreu de câncer no pulmão em maio de 2005. Os filhos ficaram desempregados. Apenas Vanílson trabalha e ganha R$ 120 numa tapeçaria. “Não sei o que minha mãe fazia, mas quando estava viva, o aluguel não atrasava nem faltava comida. Mãe é mãe, né? A gente não tem um grão de arroz há três dias”.
O benefício deixado pela mãe e que seria usado para o aluguel fica nas mãos do pai. “Eles não se divorciaram no papel e meu pai foi quem ficou de receber a pensão de R$ 400 e repassar para meus irmãos menores, mas não passa. Gasta tudo com bebida”, disse Vanílson. Os irmãos precisam de outra casa para morar, mas não têm quem seja avalista da locação. A família é do Maranhão e se mudou para Franca há 15 anos. “Meu pai é alcoólatra. Não temos a quem recorrer”, disse Maria.
O pedreiro Cosmo da Silva, 47, pai dos jovens, disse que recebe R$ 330 de pensão da ex-mulher e teria de pagar R$ 150 para os dois filhos menores, mas cortou o pagamento depois que os irmãos mais velhos teriam usado o dinheiro com drogas. “Fiquei muito chateado quando soube que estavam pagando traficantes. Parei de ajudá-los.” Ele negou problemas de alcoolismo.
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