O mês de Agosto é celebrado o mês das Vocações Sacerdotais e Religiosas. No primeiro domingo celebra-se o dia do padre; no segundo, o dia dos pais e as orações pela família; no terceiro o dia da religiosa e no quarto, o dia dos leigos, ou fiéis engajados tornando a Igreja rica de dons necessários ao mundo.
É um tempo forte de orações para que o Senhor continue enviando vocações, seus ministros à Igreja.
A liturgia deste domingo nos faz meditar sobre o “Pai” que nos dá o verdadeiro pão do céu. Jesus é um pão sobre o qual o Pai “imprimiu o seu sinal”. A Eucaristia é, então, dom do Pai, um dom que prolonga, o da encarnação: Deus tanto amou o mundo, que deu a nós na encarnação (e continua a dar na Eucaristia) o Seu Filho Unigênito.
A vida que vem a nós na Eucaristia, é a vida que tem como fonte e princípio o Pai e que, através de Jesus Cristo, se derramou sobre o mundo. A Eucaristia é presente do Pai para nós e nos conduz ao Pai. Na Eucaristia Jesus se oferece a Si mesmo por inteiro ao Pai, dando-se concretamente aos homens.
Quem participa da Eucaristia nunca se sai “ileso”, quando verdadeiramente celebrada, ela queima, consome, contagia, assemelha a Jesus. A Eucaristia é chamada também “sacrifício de louvor”. Não há outro caminho: ninguém vai ao Pai senão por meio de Jesus, isto é, agora e no concreto, senão através da Eucaristia.
Pela Eucaristia aprendemos a “obedecer ao Pai”. Isso significa ter em nós os mesmos sentimentos que existiram em Jesus Cristo. As palavras pronunciadas na carta aos Hebreus 10, 7: “Eis que venho, ó Deus, para fazer a tua vontade”, devem nos ajudar a pensar: eis que venho para a canseira do dia-a-dia, para os estudos, para os conflitos, para o serviço dos irmãos. Em todas as realidades quero ser fiel a Deus e testemunhar o seu nome. Isso atrai sobre nós a sua complacência, que é vida para nós. A complacência do Pai tem um nome próprio: chama-se Espírito Santo.
Jesus, através das suas afirmações, leva o povo que o escuta a sair da passividade. Temos aqui um dos pontos altos da revelação do Novo Testamento: Jesus e o Pai são um. Deus já deu o pão, o dom-presente. Deus é pão em Jesus. Indo a Jesus e crendo nele as pessoas participam dessa unidade e comunhão, e fazem parte daquele projeto que Deus gostaria ver realizado na humanidade, sem fome e sem sede.
A tarefa é exigente: é preciso assimilar Jesus que é “pão para a vida do mundo”; em outras palavras, ele é o amor que se doa.
E quem se achega a ele não o faz para preencher a si próprio, mas para aprender a doar-se e a amar. Quando aprendemos isso, não haverá mais carentes, pobres ou marginalizados, pois o projeto de Deus que encarnamos é liberdade e vida para todos. “Dá-nos sempre deste pão”, pede a multidão. Na Bíblia as imagens da fome e da sede indicam a necessidade de Deus.
Muitas vezes buscamos a felicidade nas coisas materiais (prazeres, festas, etc), mas no fim sempre nos sentimos insatisfeitos. O único pão que sacia a necessidade de felicidade e de paz é a palavra de Cristo. O seu evangelho é o pão descido do céu. O jeito de Cristo deve ser assimilado como o pão que se torna parte do organismo da pessoa que o ingeriu.
PE. JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca
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