Desenvolvimento regional, uma estratégia de futuro


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Desde os tempos coloniais, foram adotadas no País políticas públicas que não contemplavam as diversas facetas da sociedade. Por pisotear estes particularismos regionais, ao invés de propiciar desenvolvimento, tais medidas homogeneizantes serviam para sufocar os potenciais naturais de nosso povo. E, pior, muitas vezes não passavam de fórmulas copiadas sem qualquer ajuste à realidade nacional. Diante desse quadro, na década de 90, a CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) iniciou estudos que consagraram as estratégias de desenvolvimento local como o rumo mais efetivo à atuação dos governos. Ao contrario das lógicas anteriores, a construção destas medidas é balizada pela intermitente reflexão sobre as vocações regionais. É para elas e por meio delas que o desenvolvimento difunde-se por todas as instâncias. Com isso, os sistemas locais de empresas podem liderar processos de crescimento e mudanças estruturais ao gerar economias de escala. Surgem cooperativas e um sistema de valores condizentes com a realidade local, que, assim, flexibilizam os mercados de trabalho e reduzem custos de produção. Todas as regiões do Estado de São Paulo, como o curso da História já aponta, possuem condições e vocação para gerar benesses tanto sociais quanto econômicas. Exemplo deste desdobramento é a região Centro-Oeste paulista. Ali grassa uma miríade de vocações complementares. Enquanto Jaú desponta como pólo calçadista, a vizinha Bocaina é a maior produtora de luvas de couro do País. Detalhe: é do subproduto das fábricas de Jaú, ou seja, dos retalhos de couros, que metade da população bocainense encontra a matéria-prima para o seu sustento. Graças a isso, as taxas de desemprego são nulas na cidade - e ainda sobram vagas. Bariri, outro município da região, por meio de uma Incubadora de Empresas oferece respaldo estratégico às microempresas, que como resultado geram empregos e rentabilidade. Enquanto no período de 2000 a 2002, o Brasil amargava 772.600 falências de pequenas empresas que deixaram cerca de 2,4 milhões de desempregados, só em 2000, cerca de 1019 microempresas, responsáveis cada uma pela contratação média de 27 pessoas, estavam a pleno vapor na cidade. Dois Córregos, por sua vez, além do forte potencial para o turismo, já conquistou um profundo nível de desenvolvimento por meio dos setores do agronegócio, indústria e prestação de serviços. Em Lençóis Paulista, o enfoque é na educação. Seja pela biblioteca municipal, a maior do Interior, ou pelo bairro dos escritores, homenagem àqueles que redigiram as bases da cultura nacional, o que se vê na cidade é uma extrema valorização do sistema educacional. Não por acaso, Lençóis é berço do escritor Orígenes Lessa e do vencedor da Olimpíada Paulista de Física em 2004. Já em cidades como Brotas, Barra Bonita ou Igaraçu do Tietê, o setor do Turismo tem de tudo para crescer. Basta apenas que medidas estratégicas sejam tomadas. Exemplo é o progresso de Brotas na área. Na década de 80, a cidade firmou um consórcio com outros municípios da região para a preservação de seu patrimônio ecológico. Hoje, os frutos desta sensata decisão são colhidos por toda a população. Aproximadamente 25% dos brotenses trabalham direta ou indiretamente no setor. E a cada final de semana, o município recebe cerca de 1,5 turistas. Neste ponto, vale destacar a importância do desenvolvimento sustentável para o Estado. Os governos não podem deter-se no crescimento econômico, que leva em consideração apenas à acumulação de riquezas, mas ter em vista todas as áreas da sociedade, inclusive a ambiental. Gerir políticas públicas balizadas pelo conceito de desenvolvimento sustentável é prezar pela qualidade de vida da população e pelo respeito das gerações vindouras. A meu ver os governantes não devem apenas pensar em políticas imediatistas. Ao contrário, devem ter em mente que sua função na estrutura social é trabalhar tanto pelo presente quanto pelo futuro. É construir hoje as bases sólidas para o desenvolvimento de amanhã e continuar a edificação daquelas estratégias que já estão solidificadas. Mas, para erigir um virtuoso amanhã é preciso conhecer o terreno em que se está pisando. E, apenas depois de prepará-lo, é que a construção pode ser iniciada. Com a união das potencialidades de cada região, iremos ainda mais longe. E, como paulista, quero fazer parte dessa História. Quero deixar para as futuras gerações um legado de atuação efetiva para nossa sociedade. Quero consolidar para a nossa sociedade um Estado capaz de harmonizar sucesso econômico, social e ambiental. MILTON LYRA é advogado e vice-prefeito de Jaú.

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