O MIS (Museu da Imagem e do Som) de Franca promete entrar em uma nova fase. Mudou de casa e, também, de diretor. O radialista Marcelo Teixeira, mais conhecido como “Marcelo Bomba”, deixou a direção do museu, que agora passará a ser administrado pelo também radialista Luiz Cláudio Barsoteli. Ele assume já com a missão de arrumar as novas instalações da instituição, que passará a funcionar na casa que foi do pintor Bonaventura Cariolato, no centro da cidade, para onde também vão a Pinacoteca e a sede da Feac (Fundação de Esporte, Arte e Cultura).
Com 40 anos de experiência no rádio, Barsoteli promete levar para a nova empreitada não só o conhecimento adquirido com o rádio, mas também a visão que possui da necessidade de se preservarem os acervos e a memória cultural de um lugar. Para ele, é fundamental que os jovens se conscientizem da importância de respeitar aquilo que é mais antigo.
A primeira meta do novo diretor é popularizar o MIS, ou seja, tirar o museu do ostracismo e torná-lo conhecido da população. “As pessoas precisam conhecer o museu, saber que ele existe. Para isso, eu quero que elas venham até aqui, mas também quero levar o MIS até elas”, disse. A idéia é fazer exposições itinerantes pelos bairros da cidade e eventos culturais que estimulem as pessoas a ir até o museu.
Além disso, Barsoteli quer garimpar gravações de áudio ou vídeo que façam parte da história de Franca. “Franca teve muitos eventos importantes que merecem e precisam ser resgatados”. Como exemplo, ele cita o concurso Miss Franca, que teve Elisa Gosuen como vencedora. “Esse concurso foi televisionado. Eu não me lembro bem por qual emissora. Mas quero ir atrás, ver se a gente consegue esse registro para o MIS”. Outro evento do qual ele se lembra e quer tentar resgatar é a participação de Franca no programa Cidade contra Cidade, do SBT. “Já entrei em contato com a emissora e vamos ver se eles têm o tape para nos mandar”.
Barsoteli ainda não tem a quantificação exata do acervo do MIS, já que está fazendo toda a catalogação novamente, mas sabe que há pelo menos quatro mil discos e mil fitas VHS, além do acervo fotográfico. Ele quer digitalizar todo esse material para que fique mais bem conservado e facilite o acesso das pessoas.
Outra meta de Barsoteli é criar uma página na internet para o MIS, na qual as pessoas possam consultar o que há disponível no acervo e, também, manter um contato direto com o museu.
Ele diz ter plena consciência de que não será fácil conseguir realizar todos esses projetos se não tiver os recursos financeiros necessários. Mas garante que tentará. “Vamos atrás de patrocínio e de pessoas interessadas no museu. Será um ganho para a cidade”. A expectativa é que dentro de um mês as novas instalações já estejam em funcionamento.
O GUARDADOR
Dono de um acervo pessoal respeitável sobre o rádio de Franca e do Brasil, principalmente São Paulo, Barsoteli espera levar para o MIS todo o conhecimento que adquiriu nesses 40 anos em que “guardou coisas”. Ele espera, inclusive, deixar o seu próprio acervo disponível para os freqüentadores do museu.
Desde que começou no rádio em Franca, na antiga Piratininga, ele criou o hábito de guardar as gravações de todos os seus programas. Esse hábito também foi levado para outras coisas que ouvia e via na televisão. “O meu acervo não tem um método de coleta ou organização. É aleatório. Eu gravo o que gosto e acho importante. E não são coisas só de Franca”, diz.
Além de todos os programas apresentados pelo radialista, é possível encontrar nesse acervo imagens de radialistas que fizeram história na cidade, além de outros registros da história do rádio. “As emissoras, em geral, não costumam ter acervos de seus programas. Então, é mais fácil encontrar a memória dessa época em acervos pessoais”, diz. Ainda assim, ele lembra que, infelizmente, muita coisa se perdeu. “Há cerca de seis meses morreu o radialista Alfeu Estabeline, e não há nenhum registro da voz dele na cidade. Isso precisa ser mudado”, diz.
Da época em que trabalhou em São Paulo, na Rádio São Paulo, Barsoteli guarda, por exemplo, áudios de Eli Corrêa, fragmentos de programas do Hélio Ribeiro, além de trechos do programa Nossa Turma, que apresentava e para o qual entrevistou personalidades como Sérgio Reis, Roberto Carlos, Antônio Marcos e Martinha. Tem ainda gravações que fez da televisão de programas como Perdidos na Noite, apresentado por Faustão, e algumas imagens do Sílvio Santos em início de carreira.
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