Homem que matou membro do PCC se nega a encenar crime


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Maikon Rodrigues é retirado do camburão por policial perto do local em que matou Cledinaldo Neves, mas se recusa a fazer a reconstituição: “Não vou falar nada”
Maikon Rodrigues é retirado do camburão por policial perto do local em que matou Cledinaldo Neves, mas se recusa a fazer a reconstituição: “Não vou falar nada”
No sábado, ele e alguns companheiros de cela cavaram um túnel para fugir. Não conseguiram. Ontem, teria de deixar a cadeia para reconstituir o assassinato que cometeu, mas se recusou por duas vezes. “Só saio daqui com ordem judicial”. Somente na terceira tentativa dos policiais, quando a determinação assinada por um juiz chegou, é que aceitou deixar o presídio. Levado à cena do crime, ficou calado e se recusou a fazer a reconstituição. “Não vou falar nada”. O comportamento arredio foi protagonizado por Maikon Rodrigues Machado, 22, o homem que confessou ter matado e queimado o corpo de Cledinaldo Peres Neves, 32, nos fundos do Jardim Aviação. O crime aconteceu no dia 22 de julho, em uma estrada de terra que dá acesso à Fazenda Santana. O assassino deu três tiros e ateou fogo ao corpo. Antes, teve o cuidado de tirar as roupas da vítima e amarrar seus pés com panos. O carro de Cledinaldo, um Fiat Tipo, também foi incendiado nas proximidades. Uma carta apreendida na casa da vítima mostrou que ela mantinha uma relação próxima com o líder do PCC e pretendia assumir o comando da facção em Franca. Dois dias depois, policiais militares prenderam Maikon em uma casa do Jardim Aeroporto. Levado à sede da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), ele afirmou ter sido o autor do bárbaro crime. Disse que agiu sozinho e teria matado Cledinaldo por motivos fúteis. “Ele fez gracejos para minha mãe”. A polícia não acreditou em sua versão e pretendia usar a reconstituição para esclarecer todas as dúvidas existentes sobre o caso. “Maikon Magrelo”, como é conhecido, chegou ao local do crime às 15h30. Vestia uma camisa azul com a estampa “Brasil”, uma bermuda colorida e chinelos de dedo. Antes mesmo de descer do camburão, já havia avisado que não colaboraria. O delegado Eduardo Lopes Bonfim e o perito Edmilson ainda insistiram, mas ele permaneceu irredutível. “Tudo o que tinha que falar já falei quando fui preso. Agora, chega”. Numa rápida entrevista ao Comércio, voltou a falar que agiu sozinho e que não pretendia mais colaborar com a polícia. “Só eu sei o que é melhor para mim. Ninguém mais sabe. Já está complicado. Estou em cana, não vou fazer mais nada. Isso só vai me prejudicar. A população vê eu fazendo um barato deste aqui e vai querer me julgar eu (sic). Vocês vão aumentar prá c.... que eu tô ligado”. Com a recusa em participar da encenação, Maikon foi levado novamente à cadeia, onde aguardará ao julgamento. Ele já esteve preso em Ribeirão Preto por ter matado uma pessoa com golpes de enxada há dois anos, mas conseguiu fugir. Foi recapturado logo após voltar a matar.

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