As falhas no atendimento e na triagem dos pacientes do Pronto-Socorro “Dr. Janjão” podem ter colaborado para que uma história de luta, esperança e sonhos fique suspensa de forma angustiante. Paulo Sérgio Meira da Silva, 21, briga pela vida desde 2005, quando teve diagnosticada a existência de um tumor em seu cérebro. Enfrentou três cirurgias no período, em março e novembro do ano passado e em março último.
Entre uma e outra operação, animava-se. “Sempre estava de bom humor. E era muito esforçado, era só melhorar um pouco durante o tratamento que já corria para trabalhar com meu pai”, disse sua mulher, a doméstica Suélen Silva Carmo, 20. “Se os médicos do pronto-socorro tivessem me ouvido sobre a gravidade do caso, talvez houvesse tempo de fazer mais por ele na Santa Casa”.
Nos últimos oito meses, após a última cirurgia, a família acreditava que a doença havia sido dominada. Tanto que, há três meses, Paulo Sérgio e Suélen se casaram, em cerimônia muito festejada. “Ele estava muito bem, fora uma ou outra dor de cabeça. Tínhamos motivos para comemorar: além do casamento, meu marido estava bem. Achei até que estivesse curado desta doença. Pena que eu estava enganada”.
Suélen disse que Paulo Sérgio ainda não chegou a realizar o grande sonho de sua vida: o de ser pai. “O que ele mais queria era ter um filho. Mas eu pedi para esperar um pouco”, disse Suélen, que após uma pausa, continuou: “Infelizmente, não deu tempo”.
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