Brasil: país em construção


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Após décadas de experiências populistas, nacionalistas, desenvolvimentistas, autoritárias e de amadurecimento da democracia, o Brasil é ainda um país em construção, embora tenha a certeza de ser um aventureiro dependendo do grupo político que estiver assumindo o leme no momento. Isto tudo só para citar o último século. Os candidatos aos mais altos cargos parecem ser sempre os mesmos recorrentes ou que surgem das cinzas. Todo o país navega por mares misteriosos, que se agitam entre ondas de corrupção e ineficiência administrativa, até que o povo é chamado novamente às urnas. Se as raízes dos maiores problemas nacionais só estivessem no acesso mais amplo à educação de qualidade e em melhores políticas de controle e distribuição do dinheiro público pela burocracia estatal, e solucionando-os, como poderia este majestoso país não progredir? Por progresso, contudo, não se deveria entender a aceitação passiva de modelos econômicos e culturais empregados por outros países, mas estratégias políticas autônomas que conduzissem o Brasil gradualmente a um futuro promissor. Não queremos mais ser arena de testes, experimentações políticas e promessas mal cumpridas da modernidade. E não será da noite para o dia, tampouco com o revezamento promíscuo de governantes no poder que provêm de correntes ideológicas completamente distintas. Creio que deve haver um diálogo maior entre os partidos e os grupos de interesse a fim de que seus candidatos apresentem propostas em comum e obtenham mais pontos de concordância. Estas equipes deveriam mesmo conferir a realidade a que se sujeita a população antes de brincar com propostas, por melhores que sejam, que envolvam o sistema financeiro, a globalização e o socialismo sem saber exatamente do que se trata. O ex-secretário nacional de cultura Ipojuca Pontes, que esteve no cargo de março de 1990 a março de 1991, em seu livro ‘Politicamente Corretíssimos’, afirmou que o Brasil não tem sido outra coisa senão o eterno país do futuro. Mesmo que pareça piada, alternam-se no poder governos ditatoriais e democráticos, são traçados planos e estratégias desenvolvimentistas, atacam-se projetos ambiciosos e definitivos, e, apesar de tudo, continuamos a viver na ilusão de um país melhor, em que se institucionalizou a malvada indústria da esperança. O Brasil precisa é de passos mais curtos, porém certeiros. Não fosse a abundância hídrica e mineral, as belas paisagens naturais, a riqueza de fauna e flora, a hospitalidade de seu povo, o acúmulo de uma extensa história diplomática, a atração de investimentos, as tecnologias em prospecção de petróleo e fontes alternativas de energia da cana-de-açúcar, alto contingente de mão-de-obra ativa, como poderia ser chamado de ‘país emergente’ ou ‘país em desenvolvimento’? A partir daí, o que falta é maior convergência dos interesses de gestão para os aspectos sócio-culturais antes mesmo dos econômicos, sem prejuízo das partes. Em outras palavras, alguém que olhe o Brasil também de dentro. BRUNO PERON LOUREIRO é estudante de Relações Internacionais na Universidade Estadual Paulista.

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