Pesquisadores da Universidade do Sudeste da Califórnia descobriram que as crianças de até três anos que têm uma dieta pobre, ou seja, consomem pouco zinco, ferro, vitamina B e proteína, são mais propensas a terem problemas de comportamento do que as que têm uma dieta balanceada.
Aos oito anos, as crianças mal-alimentadas (continuamos falando em qualidade) apresentam mais sinais de irritação e brigam mais que aquelas que se alimentam saudavelmente. Aos onze anos, elas xingam, enganam e brigam. Aos 17, roubam, agem cruelmente com os outros e tomam drogas.
A pesquisa foi feita na Ilha de Mauricio, costa da África no Oceano Indico, envolveu 1.795 crianças a partir do nascimento. As etnias eram, na ordem, indianos, negros, chineses, ingleses e franceses.
Os pesquisadores detectaram sinais de subnutrição em exames de 1.559 das crianças. Apresentaram estomatite, um sinal de deficiência de B2, 7% das crianças. Despigmentação do cabelo, sinal de falta de proteína, 6,8%. Cabelo fino e esparso, indicando falta de proteína, zinco e ferro, 5,8%. E anemia, apontando a deficiência de ferro, 17%.
A pesquisa considerou desnutrido quem apresentasse ao menos um dos quatro fatores indicados acima. Chegou-se a 22,6% de crianças desnutridas.
A primeira descoberta foi que a desnutrição até os três anos está bastante associada aos problemas de comportamento aos 8, 11 e 17. A segunda, a desnutrição predispõe as crianças a terem um QI menor que, por sua vez, predispõe a problemas de comportamento. A terceira, gênero e etnia não fazem diferença.
Obviamente, a pesquisa não descarta a influência que a herança genética exerce nem os fatores do meio, sejam culturais, familiares, etc. Porém, dá pistas do que os pais podem fazer para terem problemas comportamentais menores com os filhos.
Os organismos públicos de saúde também podem agir para reduzir a desnutrição de mulheres grávidas e crianças. Ações não-governamentais como a da Pastoral da Criança, que faz um excelente trabalho de prevenção e acompanhamento, também são importantes.
Se não perceberam, desnutrição não é sinal de pobreza, existem muitas crianças ricas mal nutridas, por isso o alerta vale para todos os pais, professores e autoridades. Afinal, as crianças alimentam-se mal em casa, na escola, na igreja, etc. É cachorro-quente, hambúrguer, refrigerantes, doces, embutidos, toda a sorte de comida que deveria ser eliminada do cardápio das lanchonetes das escolas.
E esse é um problema que deve ser encarado com muita seriedade, assim como fizeram a Califórnia e a França que retiraram das suas escolas a ‘fast food’, afinal, a vítima da violência pode ser qualquer um, ou você, ou seus filhos, ou alguém que amamos.
MARIO EUGENIO SATURNO é tecnologista sênior do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano.
Email: mariosaturno@uol.com.br
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