Brasil pode participar de missão de paz no Líbano


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Criança descendente de libaneses participa de manifestação pela paz no Rio de Janeiro; os recursos da diplomacia brasileira e de outros países não têm força suficiente para conseguir um cessar-fogo frente &a
Criança descendente de libaneses participa de manifestação pela paz no Rio de Janeiro; os recursos da diplomacia brasileira e de outros países não têm força suficiente para conseguir um cessar-fogo frente &a
Desde o início da ofensiva israelense no sul do Líbano, o governo brasileiro se posicionou contra a resposta desproporcional de Israel ao seqüestro de dois de seus soldados pelo braço armado do partido islâmico Hezbollah. No domingo, após Israel bombardear áreas civis da cidade de Qana, matando 62 pessoas sem qualquer vínculo com o Hezbollah, sendo 37 delas crianças, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transmitiu uma mensagem ao primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, no qual o chefe do Executivo brasileiro se declarou “chocado, indignado e consternado”. Lula comunicou a Siniora que instruiu o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para que ele apóie o apelo do primeiro-ministro libanês “para que o Conselho de Segurança das Nações Unidas imponha cessar-fogo imediato ao conflito”. Na realidade, pouco adiantaria o apoio brasileiro ao cessar-fogo, uma vez que os Estados Unidos, membros permanentes e com direito a veto no CS (Conselho de Segurança) da ONU, impedem a aprovação de uma resolução que imponha o cessar-fogo imediato. No caso do massacre de Qana, os Estados Unidos impediram até mesmo que o CS condenasse o bombardeio, aprovando apenas uma moção de “lamento”. A maior parte da comunidade internacional exige o cessar-fogo imediato e apóia o envio de tropas de paz da ONU ao sul do Líbano para que Beirute retome a soberania sobre o território, uma vez que a área é dominada pelos milicianos do Hezbollah, sem legitimidade democrática, que expõem a população civil ao oportunismo imperialista israelense, que, sob esse pretexto, invade a região, expulsa seus habitantes, e destrói a infra-estrutura de um país que demorou décadas para se reerguer da devastação causada por outras guerras. Enquanto isso, Washington se declara a favor de uma “paz duradoura”, e só aceita o cessar-fogo após a destruição completa do Hezbollah, seguida do envio de uma força internacional comandada pelos próprios Estados Unidos e seus aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O que se questiona no momento é a legitimidade de uma eventual missão internacional liderada por Washington, uma vez que a Casa Branca é declaradamente uma aliada de Israel, o que a descredenciaria moralmente para liderar uma missão de paz entre os dois países, que teriam de consentir. A falta de neutralidade americana pode ser ilustrada pelo fato de os Estados Unidos enviarem anualmente 3,5 bilhões de dólares a Israel, sendo 2 bilhões para orçamento militar, ou seja, Israel guerreia financiado pelos Estados Unidos. Os interesses americanos na região são os mais diversos. Em primeiro lugar, o posicionamento de tropas americanas no Líbano deixaria a Síria, detentora de reservas petrolíferas da ordem de 2,5 bilhões de barris, cercada de posições militares americanas (uma vez que o Estados Unidos são aliados da Turquia, de Israel, da Arábia Saudita e do Iraque).Além disso, o controle do litoral do Oriente Médio no Mar Mediterrâneo significa o controle sobre o petróleo que abastece a Europa. Outro interesse é montar mais bases próximas ao Irã, um inimigo histórico de Washington. Vale lembrar que o interesse na região petrolífera não é uma mera questão nacional para os Estados Unidos, que consomem muita energia em suas indústrias, mas também financeiro-pessoal para o alto escalão do governo Bush. O vice-presidente Dick Cheney, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, e o próprio chefe de Estado, George W. Bush, são grandes acionistas de empresas do ramo energético, como Unocal, Halliburton, Texaco, entre outras. Essas razões explicam a recusa ao cessar-fogo. Massacres, como o de Qana, servem para pressionar a comunidade internacional a aceitar o controle israelense e americano na região. Por outro lado, a Síria e o Irã também não querem o fim dos enfrentamentos, pois desejam que o Hezbollah, aliado dos regimes extremistas islâmicos, aumente seu poder político no Líbano e fornecem armas a esse grupo, impondo a guerra à população libanesa que, em sua maioria, é contrária ao extremismo. O Brasil está disposto a integrar uma força de estabilização internacional no sul do Líbano. Ontem a assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores informou ao Comércio que a participação ainda não é certa, e que só concretizaria a operação se essa força internacional obedecesse às regras do Direito Internacional e estivesse de acordo com as resoluções das Nações Unidas, o que, indiretamente, deixa transparecer uma oposição inplícita do governo brasileiro às pretensões de liderança oportunista americana. Enquanto isso, o Brasil continua empenhado em resgatar seus cidadãos residentes no Líbano e enviando ajuda humanitária na medida do possível. O assessor de imprensa do Itamaraty, Tiago Pádua, declarou que o Brasil está enviando “15 kits de farmácia básica para a região de conflito. Cada kit atende cerca de 9 mil pessoas, o que significa que estaremos atendendo a 135 mil pessoas”. Questionado sobre a possibilidade de a sociedade brasileira se organizar para enviar ajuda humanitária ao Líbano, Pádua lembrou que, nas atuais circunstâncias, isso seria quase impossível, pois as fronteiras estão fechadas. Israel bombardeou pontes e até caminhões que transportavam alimentos e recusou o pedido de trégua temporária para que civis fossem auxiliados.

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