O fim da união


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Arsênio de Freitas, presidente da Afic, ao lado do presidente da Francal, Adbala Jamil Adbala, durante abertura da Fenafic: rompimento entre as duas pertes foi anunciado na abertura da feira, na tarde de ontem
Arsênio de Freitas, presidente da Afic, ao lado do presidente da Francal, Adbala Jamil Adbala, durante abertura da Fenafic: rompimento entre as duas pertes foi anunciado na abertura da feira, na tarde de ontem
A abertura da segunda edição da Fenafic (Feira Nacional de Couros, Máquinas e Componentes para Calçados), na tarde de ontem, no Pavilhão Dharma, foi marcada pelo rompimento da Afic (Associação de Fornecedores da Indústria Calçadista) e a Francal Feiras e Empreendimentos, que viabilizou a realização do evento neste ano. A notícia, que já circulava nos bastidores, surpreendeu expositores e visitantes. A partir de 2007, a Afic, entidade com pouco mais de dois anos de existência, passa a responder por tudo, da locação de espaços até à divulgação, pois já dispensou os serviços da Francal, empresa que anualmente realiza 12 feiras de porte internacional, como a própria Francal. Cada uma das partes dá a sua versão. Arsênio de Freitas, presidente da Afic, alega que não houve acerto financeiro, ou seja, a entidade que preside queria pagar menos pela feira deste ano, o que a Francal não aceitou (os valores não foram revelados). “As negociações se arrastaram por seis meses, mas não houve acordo”, disse Arsênio. Abdala Jamil Abdala, da Francal, dá outro motivo. “Foi questão de interesse”, disse, com um ar de frustração. “Queríamos prosseguir com a Afic, mas respeitando, inclusive, os interesses futuros da entidade, o contrato, que infelizmente, não será renovado”. Ambos foram educados e cordiais na cerimônia de abertura e nas rodas em que estiveram juntos, mas, separados, dispararam farpas, numa espécie de “fogo amigo”. Abdala tentou ser mais polido, lembrando um personagem bíblico, o agricultor que aceita o filho pródigo de volta à casa. “Se a Afic achar que assim deve ser, estaremos de portas abertas para que possamos ser parceiros novamente em 2008”. O presidente da Afic, Arsênio Freitas, foi mais duro e não demonstrou a mesma vontade. Disse que a Afic levará adiante o projeto, sem pitacos da Francal. Para Arsênio, a maior responsável pela realização da Fenafic é a Afic. “Da união do setor de componentes à realização da feira, nada disso estaria acontecendo se não fosse pela existência da Afic”. A ousadia da Afic em romper com a segunda maior promotora de feiras do País, no entanto, espantou alguns profissionais do setor de componentes. Nos corredores, os comentários eram de que se poderia ter esperado um pouco mais, mesmo porque a Afic ainda é uma associação nova e a Fenafic, mesmo que em crescente sucesso, ainda é imatura. ABERTURA A cerimônia de abertura foi simples e sem longos discursos. O evento contou com a presença do prefeito Sidnei Rocha (PSDB), de Elcio Jacometti, presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), e de Jorge Donadelli, presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Franca, entre outros convidados do setor. Políticos de Franca e região, entre eles o deputado estadual Gilson de Souza (PFL), e o deputado federal Carlos Panunzzio (PSDB), marcaram presença. Sidnei aproveitou seu discurso para cobrar apoio (ao setor calçadista e de componentes) dos deputados federais e convidou os empresários a se engajarem na formação de uma bancada do calçado no Congresso Nacional. “Está na hora de acordar para a política nacional”. Disse ainda que vai se empenhar para que, no próximo ano, seja encontrado um novo local para a realização da feira, já que o espaço hoje ocupado se tornou pequeno, embora a própria Afic já tenha confirmado a edição de 2007 no Pavilhão Dharma. Sem a Francal, claro.

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