Na cena do crime, detalhes de um dia normal


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As roupas estavam no varal. Os sapatos das crianças no tanque para serem lavados. Bolo, café e leite sobre a mesa. Era mais um dia comum para a família Siqueira, até que seis tiros transformaram aquela manhã de sol. O comportamento dos animais, no entanto, parecia denunciar que ali tinha acontecido algo grave. Vacas, galinhas, cães e gatos estavam assustados e inquietos. Entre as crianças menores, o choro. ARNS, 12, estava tirando o leite da última vaca quando ouviu do próprio pai que a mãe tinha acabado de ser baleada por ele. No caminho do barracão onde trabalhava até a casa, o garoto cruzou com os irmãos mais novos, todos chorando. Desnorteado, o menino correu até a sede da fazenda em busca de socorro. Seu desespero levou um funcionário do sítio a pensar que se tratava de uma brincadeira. “Ele disse: ‘meu pai matou a minha mãe’. Pensei que fosse brincadeira de menino, mas depois vi que era sério”, contou o lavrador Claudinei Manoel, funcionário do sítio. “O Renato (Siqueira) trabalhava sorrindo o dia todo”, disse. A descrição de Siqueira feita por ele se repetiu por todas as pessoas ouvidas pela reportagem: todos dizem que o lavrador era “boa gente”, assim como Mariluza, considerada pelos vizinhos, amigos e conhecidos uma mãe exemplar e exímia dona de casa. “Não tem explicação para o que aconteceu”, sintetizou Manoel.

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