Claricinda Maciel não teve contato com a psiquiatra Nise da Silveira, que atuou nas décadas de 50 a 70 e provocou uma verdadeira revolução no mundo da psiquiatria. Mas, ao vermos o que ela faz, é impossível não nos lembrarmos da famosa médica, justamente por Nise ter sido a grande responsável por abrir o caminho da expressão, da criatividade e da emoção no mundo habitado pelos doentes mentais. Nise apostou na possibilidade de o doente, através da expressão simbólica, vencer a desordem interior e reatar os vínculos com a realidade. Ela lutou contra o modelo vigente de psiquiatria, no qual os pacientes internos dos hospitais psiquiátricos eram tratados com eletrochoques, lobotomia, choque de insulina, etc. Foi ela quem criou ateliês de pintura e modelagem para os pacientes, o que, futuramente, deu origem ao Museu de Imagens do Inconsciente.
Alagoana, Nise da Silveira nasceu em 1905. Fez seu curso de medicina na Bahia e foi uma das primeiras mulheres de seu tempo a se tornar médica, formando-se na turma de 1926 entre 157 homens. O viés revolucionário veio mesmo antes da sua atuação “rebelde” na psiquiatria. Antes disso, durante a Intentona Comunista, em 1935, ela foi presa junto com Olga Benário, Beatriz Bandeira, Maria Werneck de Castro e Eugênia Álvaro Moreyra, vindo a se tornar uma das personagens de Memórias do Cárcere, livro de Graciliano Ramos. Aliás, foi essa experiência com a prisão e o contato direto com as torturas que fizeram com que a médica visse uma outra realidade da doença mental. Totalmente o oposto do que havia aprendido na faculdade.
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