O lavrador Renato Nunes de Siqueira, 37, matou a mulher Mariluza Souza de Jesus, 30, com seis tiros, ontem em Batatais. O motivo ainda não foi esclarecido, mas a polícia trabalha com a hipótese de crime passional. Siqueira está foragido. O casal morava no Sítio Pouso Alegre, com seis filhos, mas apenas um era de Siqueira.
Conforme o Comércio apurou, Siqueira estaria desconfiado de que a mulher o traía. Como fazia todos os dias, o lavrador saiu para trabalhar no retiro de leite ao nascer do sol. Um dos filhos de Siqueira e enteado de Mariluza, ao contrário de costume, não compareceu ao galpão onde o pai trabalhava como fazia todas as manhãs.
Estranhando a demora do garoto, por volta das 6h30 o lavrador retornou à humilde casa em que moravam e cometeu o crime, utilizando um revólver calibre 38, que foi encontrado na área de serviços da casa. O que aconteceu entre a chegada do lavrador à casa e a morte de sua mulher ainda é um mistério.
A dona-de-casa foi encontrada morta no quarto onde dormiam seus filhos menores. Após cometer o homicídio, Siqueira fugiu sem deixar pistas. Como a região é tomada por plantações de cana-de-açúcar, a localização do lavrador torna-se mais difícil.
Além do revólver encontrado, na casa a polícia localizou uma espingarda cartucheira de um cano, projéteis de arma de fogo, cartuchos deflagrados e intactos de diferentes calibres - 44, 38, 36, 32, 28 e 9.1 - e ainda material para recarga de munição, como pólvora e esferas metálicas. Amigos do acusado disseram que ele teria ainda outra arma, com a qual fugiu.
O crime foi presenciado por alguns dos filhos. Um deles, A.R.N.S., 12, correu até a sede da fazenda gritando por socorro. “Ele disse: ‘meu pai matou a minha mãe’. Pensei que fosse brincadeira de menino, mas depois vi que era sério”, disse o lavrador Claudinei Manoel, funcionário do sítio. Segundo a polícia, em diligências preliminares não foi possível apurar as causas do crime, sendo que a única hipótese até o momento é que se trata de um crime passional.
Em poucas horas, parentes retiraram as crianças da casa e as levaram até o sítio onde moram os pais de Mariluza. O clima era de desolamento e tristeza.
“Eu não sei o que aconteceu, não tem explicação”, disse, entre lágrimas, Aurelina Gordiana de Souza, mãe da vítima, antes da chegada do corpo da filha ao velório, na tarde de ontem.
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