Voltarei em 2008


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O ex-presidente do Franca Basquete, Júlio Tadeu Biondi, mostra angústia com a atual situação do clube, que se encontra sem presidente e sob ameaça de não montar um bom time: apesar da solidariedade, Biondi descart
O ex-presidente do Franca Basquete, Júlio Tadeu Biondi, mostra angústia com a atual situação do clube, que se encontra sem presidente e sob ameaça de não montar um bom time: apesar da solidariedade, Biondi descart
<p>Júlio Tadeu Biondi é um homem obstinado. Diz ser assim desde a juventude, período de sua vida no qual se interessou pelo atletismo, em especial o salto triplo, no qual se especia-lizou. Chegou a enfrentar, em 1978, nos Jogos Regionais, o lendário triplista Nelson Prudêncio. Perdeu feio. Mais tarde, em 1991, foi presidente do Rotary Sul de Franca. Um ano antes já se dedicava ao projeto praticamente em tempo integral. E assim também ocorreu no Franca Basquete, clube que comandou no biênio 2004-2006. Deixou o cargo em 1º de julho. Tão logo assumiu, bateu de frente com conselheiros, diretores e jogadores. Ganhou fama de “mandão”, mas, aos poucos, soube conquistar a simpatia até de alguns opositores. Não ganhou títulos, mas disse ter pago R$ 400 mil em dívidas e ajudado a tornar o clube, novamente, viável.</p> <p>Com a desastrosa passagem relâmpago de seu sucessor, o empresário Odorico Barbosa, conselheiros e torcedores querem sua volta à presidência. Ele descarta a idéia. Diz que o cargo lhe absorvia grande parte do dia e que vai descansar, dedicar-se mais às atividades profissionais e curtir a família. “Se eu continuar agora minha mulher pedirá o divórcio. Agora, não dá. Mas, se me quiserem, voltarei em 2008”.</p> <p><strong>Comércio da Franca - Por que não quis continuar à frente do Franca Basquete?<br />Júlio Tadeu Biondi -</strong> Um dos motivos foi o cansaço, o outro é que preciso dar novos rumos a minha carreira profissional. Além disso, houve pressão da família para que eu não assumisse um segundo mandato. Motivos estritamente pessoais. </p> <p><strong>Comércio - Qual foi o caminho trilhado para que a equipe pudesse voltar a montar um time competitivo?<br />Biondi -</strong> Existia um tripé no comando do Franca Basquete, formado pela diretoria administrativa, o conselho deliberativo e a comissão técnica. E havia muita harmonia entre estas partes. Se as três forças não trabalharem juntas, não há resultado. </p> <p><strong>Comércio - Foi o que aconteceu com seu sucessor, Odorico Barbosa, que ficou apenas 24 dias no comando do clube?<br />Biondi -</strong> Aconteceu. Nos primeiros dias de sua administração faltou diálogo para que as coisas continuassem na harmonia que deixamos. A partir do momento em que se restabelecer a ordem, seja quem for o presidente do clube, tudo voltará ao normal e os patrocinadores aparecerão. Não tenho nada contra ele, mas não teve uma passagem feliz. </p> <p><strong>Comércio -  Barbosa não o poupou e disse, no programa Mesa Redonda, da rádio Difusora AM, no sábado dia 22, que você deixou o caixa do Franca Basquete zerado. É verdade?<br />Biondi -</strong> Ele sabe que não é verdade (irritado). Claro que não. Deixamos R$ 20 mil em dinheiro e vários contratos de patrocínio assinados. Juntos, chegam à casa de R$ 120 mil. Tudo agora, para julho. Dava até para ele fazer o planejamento da próxima temporada. </p> <p><strong>Comércio - Ele colaborava com o clube?<br />Biondi -</strong> Já fomos em sua empresa de laticínios e houve o aceno de um acerto com a empresa que fabrica caixas para embalar o leite, que acabou não ocorrendo. Mas com dinheiro mesmo não houve qualquer colaboração. </p> <p><strong>Comércio - Como você analisa seus dois anos de mandato?<br />Biondi</strong> - Um começo difícil, mas com bom resultado no final. A diretoria anterior tinha dito que a dívida era de R$ 200 mil. Mas logo na primeira semana descobrimos que era de R$ 350 mil. Na segunda semana, ao vasculhar mais dados, o valor chegou a R$ 600 mil. Cheguei a pensar em desistir, pois o clube não parecia ser viável. Fora isso, não tinha time nem comissão técnica. Aí, decidi, junto com a diretoria e o conselho, que faríamos o trabalho de “formiguinha”. O dinheiro conseguido pelo ex-prefeito Gilmar Dominici (PT) junto ao Banco do Brasil, de R$ 50 mil mensais, foi o arranque de que precisávamos. A torcida também ajudou muito, comprou título sócio-torcedor, foi ao ginásio. Não zeramos a dívida, mas pagamos boa parte e deixamos dinheiro em caixa. <strong></strong></p> <p><strong>Comércio - Quanto o Franca Basquete deve hoje?<br />Biondi -</strong> Não chega a R$ 200 mil. </p> <p><strong>Comércio - Acha pouco?<br />Biondi</strong> - Não, mas é administrável, afinal, está R$ 400 mil menor do que a que pegamos. </p> <p><strong>Comércio - Se a situação política não se resolver, a torcida deve se preparar para uma nova era de times medíocres?<br />Biondi</strong> - Não creio nisso. Implantamos uma filosofia diferente no Franca Basquete. Fragmentamos a receita entre vários pequenos patrocinadores. Não temos um grande patrocínio. Isso dá estabilidade, pois se sai um patrocinador, como aconteceu com a Calçados Mariner, não é tão difícil arrumar outro. Além disso, há muitas placas e adesivos. </p> <p><strong>Comércio - Como você analisa a saída de Rubens Calixto do conselho deliberativo?<br />Biondi</strong> - Muito mais lamentável que a minha saída da presidência. Ter um juiz de Direito em um conselho dá uma sustentação muito grande, não é para qualquer clube. Pessoas como ele não podem ser feridas, por sua importância e principalmente pelo tanto que ama o basquete. Torço para que volte. </p> <p><strong>Comércio - Você citou amor ao clube. Entre os atletas, existe esse amor à camisa, ou as questões financeiras são mais importantes?<br />Biondi</strong> - Quase todos pensam primeiro no lado financeiro. Até entendo, pois todos têm suas responsabilidades e a carreira deles é curta. Isso pesa muito. Agora, quando a negociação é com um atleta que tenha família aqui, o aspecto sentimental pesa um pouco mais. </p> <p><strong>Comércio - Quais os jogadores que, para você, não podem deixar o Franca Basquete?<br />Biondi </strong>- Gostei de todos com quem trabalhei, mas principalmente do Rogério. Jogou em todas as partidas, quase que o tempo todo, superou todas as minhas expectativas, além de ter uma educação privilegiada. O Murilo também deixou claro todo seu potencial, para mim é um dos melhores pivôs do País, e o Helinho, um grande jogador e uma excelente pessoa.</p> <p><strong>Comércio - Como foi a convivência com Hélio Rubens Garcia?<br />Biondi</strong> - De muito respeito. Ele fazendo seu trabalho e nós fazendo o nosso. Nunca tivemos divergências. É a harmonia que lhe falei. É um profissional sério e competente. </p> <p><strong>Comércio - Acha frustrante, mesmo com a guinada que deu nas finanças, deixar a presidência sem ganhar títulos?<br />Biondi</strong> - Isso não me frustra, pois não faltou luta e profissionalismo. Agora, em quadra, não tem como vencer sempre. </p> <p><strong>Comércio - Qual vai ser sua relação com o Franca Basquete a partir de agora?<br />Biondi</strong> - Como sempre foi, de torcedor. Vou assistir a todos os jogos, como sempre fiz. Mas, a qualquer momento que o clube precisar, estarei à inteira disposição. Inclusive para tentar convencer um jogador a vir para cá, se preciso for. </p> <p><strong>Comércio - Você deixa claro que não se desligou do cargo. Isso significa que poderá voltar?<br />Biondi</strong> - De imediato não. Preciso descansar realmente. Mas ainda tentarei voltar à presidência do Franca Basquete. Se tudo der certo, e me quiserem, voltarei em 2008. Mas ainda penso muito em um retorno para a Aspa (Associação dos Pais e Amigos do Franca Basquete). Ambos dão muito prazer, mas o time adulto dá muita dor de cabeça (risos).</p>

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