A Palavra de Deus que será proclamada nas missas de domingo têm por tarefa abrir nosso coração sobre a fome e a miséria que existem no mundo. No Brasil há, atualmente, mais de 33 milhões de pessoas que estão abaixo da “pobreza absoluta”. Os bens da criação foram feitos para todos, e partilhá-los é o grande “milagre” que constrói o mundo novo.
A 1ª leitura relata o momento em que o profeta Eliseu recebe a doação de um homem de Baal-Salisa: doação de vinte pães de cevada e espigas de trigo novo. O profeta recebe e ordena que distribua ao povo para que coma. Deus não guardou para si o que lhe foi oferecido. Eliseu “homem de Deus”, ensina a partilhar o que Deus criou para todos. Se existe fome é porque alguém distorceu a perspectiva do Criador. O que ele criou é suficiente para todos e ainda sobra.
Por outro lado, o Evangelho fala de Jesus que atravessa o mar da Galiléia, que sobe ao monte e se assenta, cercado por uma multidão que ele organiza, saciando-lhe a fome.
Jesus se preocupa com a alimentação do povo pobre que dele se aproxima. Jesus não se preocupa com o que irá dizer a esse povo, e sim, com a fome material dessa gente. Filipe, discípulo de Jesus, interfere, afirmando que, para saciar a fome do povo, será necessário muito dinheiro: é preciso antes acumular para depois distribuir.
Filipe representa as pessoas que dizem: A questão da fome da humanidade não tem jeito. Vai ser sempre assim, e ponto final. André, outro discípulo, pensa diferente e apresenta a Jesus um menino com cinco pães e dois peixes... Mas o que é isso para tanta gente? André tem “sensibilidade”. A sua sensibilidade em relação ao menino e à comida dos pobres que ele traz, desencadeia a novidade de Jesus. André representa as pessoas que apostam nos pequenos.
Jesus valoriza a oferta do menino, dá graças a Deus e distribui à multidão e cada um pega o tanto que quiser.
Jesus dá “graças a Deus”, isto é, reconhece que os bens da criação pertencem ao Criador. E distribui...
O ensinamento de Jesus não visa acumular para depois distribuir; é, antes, partilhar o que cada um tem, para que todos fiquem saciados.
Quando as pessoas agem com liberdade, humanidade e maturidade, o pouco se torna muito, e até sobra.
Se aprendêssemos a partilhar, todos teriam o necessário e o suficiente, e sobraria muita coisa.
Jesus nos chama a ser “homens novos”. Ser Homem Novo comporta algumas atitudes concretas no relacionamento comunitário: humildade, mansidão, capacidade de acolher as pessoas. O amor fraterno é a coroa dessas três atitudes fundamentais. O amor fraterno se concretiza nestes gestos; na capacidade de perdoar e de se solidarizar.
Participar da missa nesse domingo implica olhar o que temos e ter coragem e prontidão para repartir com os outros. Que Deus seja vitorioso em nós!
PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca
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