Todos querem ver a oportunidade bater à porta. Enquanto ela não chega, talvez o caminho seja alcançá-la, ainda que seja preciso viajar 439 quilômetros. Distância que o garoto Vinícius Aparecido de Sousa Cândido, de 11 anos, percorreu para participar de um teste no Santos Futebol e, ao mostrar habilidade, foi aprovado em janeiro deste ano, mesmo sem ainda ter idade para atuar na menor categoria de base, a de 12 anos.
Tudo deu tão certo, que os pais do garoto aceitaram arriscar e trocarão a vida já estabilizada em Franca para ajudar o filho a realizar o objetivo de ser um profissional do futebol. Eles se mudarão para Santos nesta semana, mesmo sem terem emprego em vista.
A primeira ajuda à família será dada por uma tia de Vinícius, que vive na cidade. É na casa dela que o pré-adolescente está ficando desde quando começou a treinar, em abril. O sapateiro Eurípedes Aparecido Cândido, 42, pai do jovem, agora morará lá também, enquanto busca emprego e uma casa para alugar. “Posso trabalhar como porteiro ou outra coisa. Resolvemos mudar para ajudar no sonho dele”, disse. A tia nem se importou em ver o apartamento abrigando dez pessoas.
A mãe do jogador, Edite Custódio de Sousa Campos, 47, apresenta um sorriso constante. “O Vinícius está comendo bola o dia inteiro. De manhã vai à escola e três vezes por semana, quatro horas por dia, participa dos treinos.”
Vinícius brinca com bola desde os 4 anos de idade e começou no Palmeirinhas. Era incentivado pelo pai, que chegou a defendeu Franca nos Jogos Regionais, Abertos e participou de campeonatos amadores como jogador.
O próprio Eurípedes que viu um anúncio da “peneira”, como são chamadas as seletivas de jogadores, quando passava férias em Santos. “Já que estávamos na cidade, levei o Vinícius para fazer testes”, lembrou o pai, orgulhoso.
Habilidade com bola, capacidade de chutar, driblar, participar de um coletivo com jogadores mais velhos. Essas foram as provas que o pequeno craque teve de passar no campo da Ferroviária, em São Vicente.
“Lembro que dei um drible em um garoto maior que eu. Também dei uns chutes bons. Acho que essas duas coisas me ajudaram a passar”, contou Vinícius, que já fez amigos, um deles chamado Gustavo, o mesmo que foi driblado por ele no dia do teste.
Problemas de adaptação? Ao que parece é o que menos preocupa o futuro craque. Por enquanto, ele quer mostrar serviço porque somente no próximo ano poderá ter um contrato assinado com o clube. Isso porque ele completará 12 anos e participará da primeira categoria oferecida pelo Peixe.
“Talvez eu esteja pronto para ser um profissional quando estiver com 16 anos”, previu o esforçado jogador, que apesar dos 11 anos, está com 1,58 metro. É acreditar no sonho.
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