Cruz Vermelha ajudará francano a resgatar família


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A reportagem do Comércio fez novos contatos com o comerciante Youssef Fahim Issa, 67, libanês naturalizado brasileiro, residente em Franca há cerca de 40 anos, que viajou para o Líbano para visitar seus familiares e, nesses dias de guerra, não pode voltar para o Brasil, pois tem que cuidar da mãe de 91 anos. Na terça-feira, Youssef revelou ao Comércio que ajudará a resgatar a família de seu amigo Hussein Najem, que está vivendo como refugiado em uma mesquita da cidade de Saida, no litoral sul do Líbano. A família Najem vivia em um vilarejo no sul que foi completamente arrasado pelo Exército Israelense e teve que fugir a pé em busca de abrigo. Na ocasião do ataque, Hussein, o amigo de Youssef, estava no Vale do Bekaa (a leste do país, próximo à fronteira com a Síria) e ficou separado de sua mulher e de suas quatro crianças desde então. O Vale do Bekaa, árido e cercado de montanhas, é hoje uma das regiões mais ameaçadas do Líbano, alvo de constantes ataques aéreos israelenses, o que faz com que as pessoas não se arrisquem a sair de lá de carro, caminhão ou ônibus, pois o risco de serem confundidas com milicianos do Hezbollah é altíssimo. Até mesmo caminhões que transportavam medicamentos foram “pulverizados” pela Força Aérea do Estado hebreu. Esse isolamento do Vale do Bekaa torna a fuga praticamente impossível e já causa a privação de alimentos e de outros itens básicos. Alguns se arriscam a pé rumo a leste para cruzar a fronteira com a Síria. Mas Hussein tem que ir para a direção contrária, através das montanhas, para reencontrar a família. Hussein Najem pediu ao amigo Youssef Issa que o ajude a salvar a família, levando-a para a cidade de Bakarzala, onde está vivendo o comerciante francano, na região norte do Líbano, onde a situação é bem mais tranqüila. Youssef havia revelado que se comprometeu a buscar a família Najem assim que ela chegasse à capital, Beirute, alvo de constantes ataques israelenses. O comerciante esteve nessa quarta-feira na cidade de Nakash, na Grande Beirute (a menos de 100 quilômetros da capital), para realizar uma cirurgia de mácula no olho esquerdo, mas não pôde pegar os Najem, que permaneciam em Saida. Enquanto conversava com nossa reportagem na quarta-feira, caças sobrevoaram o hospital, de onde Youssef contava que o local estava abarrotado de pessoas, muitas das quais eram crianças, feridas nos bombardeios aos subúrbios de Beirute. Pouco tempo depois a ligação foi cortada, o que causou muita apreensão. Ontem novo contato foi feito pelo Comércio com Youssef, que está bem, e repousa de volta a Bakarzala. Ele explicou que torres de telefonia e a Rádio Nacional haviam sido bombardeados no dia anterior, no momento em que ele conversava com a reportagem, e por isso a ligação foi cortada. Youssef contou ainda que, enquanto esteve fora, Hussein telefonou para a casa dos Issa, em Bakarzala. Segundo Hussein, que permanece isolado no Bekaa, a Cruz Vermelha vai levar sua família de Saida para Beirute nos próximos dias. De acordo com Youssef, até domingo ele deve buscar a mulher e as crianças para levá-los para o norte. Youssef explicou que a cirurgia exige que ele repouse, e ele pode não estar totalmente recuperado até a data do resgate. Nesse caso, informou, há amigos dele em Beirute que receberiam os Najem até que um parente de Bakarzala chegue à capital libanesa para levá-los para a casa de Youssef. O plano inicial de Hussein era chegar a Saida e ir com sua família até Beirute para lá encontrar-se com o amigo. Agora, já que não sabe se conseguirá deixar o Vale do Bekaa, ele torce para que Youssef consiga levar seus quatro filhos e sua esposa para um lugar seguro.

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