Hollywood do interior


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Um festival com a exibição de filmes, vídeos e documentários deu o pontapé inicial para o sonho de transformar Brodowski em um núcleo cinematográfico. O 1º Cine Vídeo Filmes Festival Regional de Brodowski começou no dia 22 e segue até domingo, 30. Em cada noite, sempre a partir das 20 horas, são exibidos um longa-metragem, um documentário regional, um curta-metragem e outras produções audiovisuais do “Festival dos Segundos”. Promovido pelo Comtur (Conselho Municipal de Turismo) de Brodowski, em parceria com o Departamento de Cultura e Turismo da cidade, o festival tem levado em média 85 pessoas por noite à sala de cinema improvisada nas dependências do Clube Atlético Bandeirante. Segundo o idealizador do festival, o jornalista e secretário-executivo do Comtur, Roberto Morando Videira, a maioria das pessoas desconhece o fato de que a cidade produziu, de 1997 a 2005, os oito longas-metragens exibidos. “A cidade merecia esse festival, que veio para marcar uma atividade cultural já existente. Brodowski produziu um filme por ano e o objetivo é que um dia seja reconhecida como um pólo regional produtor, consumidor e divulgador de arte audiovisual”, afirmou Videira, que se mudou para a cidade há um ano e ficou surpreso com a qualidade dos filmes produzidos. “Vi alguns pela TV local, aluguei outros em videolocadoras e concluí que isso não poderia mais ficar escondido”. Com direito a pipoca grátis, entre os longas-metragens já apresentados o público pôde ver Castigo, A Represa, Um Homem Chamado Joaquim Mentira, Uma Criada Atrapalhada, Confissão Tardia e Dioguinho. Hoje a programação inclui a exibição de Boiada Perdida e, no sábado, A Mão do Destino. Para incentivar a produção, paralelamente ao festival acontece um concurso. Após cada noite de apresentação, a platéia dá nota a cada um dos filmes e deposita a opinião em uma urna. “Faremos a contagem e, no domingo, dia do encerramento, serão revelados os ganhadores. O público pode sugerir também o nome do prêmio”. No domingo acontece o encerramento do festival, com a entrega de troféus e a reapresentação dos vencedores. Os participantes concorrem nas categorias longas, médias e curtas-metragens, documentários e “Festival dos Segundos”, que inclui trabalhos com no máximo 59 segundos de duração, com temas alusivos à criação de novas obras. “O ‘Festival dos Segundos’ inclui obras em animação, vídeos e trabalhos artísticos inovadores que utilizem o suporte audiovisual, realizado em até 59 segundos e que pretende incentivar os produtores destas novas formas de cinema”, disse Videira Força de vontade Foi com iniciativa e recursos próprios que um grupo de amigos de Brodowski, conhecidos na cidade como “pessoal do cinema”, se reuniu em 1997 e decidiu produzir um longa-metragem com recursos, atores, produção, locações e técnicos locais. Alguns com pouca experiência em teatro, outros com nenhuma, mas todos apaixonados por cinema. Desde 97 até o ano passado, oito filmes foram produzidos pelo “pessoal”. Segundo Caetano Jacob, 70, líder do grupo, morador de Brodowski e ferroviário aposentado, o fato de a cidade ter uma TV local facilitou a produção dos filmes. “A TV Educativa facilitou as coisas. Tínhamos um grupo de teatro e o que fizemos foi transformar de teatro para película. E deu certo”, afirmou Jacob. Ele conta que a maioria das cenas foi gravada em fins de semana e feriados, para que as atividades profissionais dos cerca de 35 atores e produtores envolvidos em cada um dos filmes não fossem prejudicadas. Jacob diz ser impossível contabilizar os investimentos feitos até hoje para produzir os filmes. “Não dá para ter idéia. Usamos nossos carros, a gasolina, almoço, um chopinho, é tudo por nossa conta. Para se ter uma idéia, o figurino do ator que fez o personagem Dioguinho, no filme de mesmo nome, custou R$ 1.000. Quem não pode comprar, consegue emprestado”, afirmou. Jacob, que teve participação ativa em todas as produções, ora como diretor ou roteirista, ora como autor e até ator, prefere não ser rotulado. “O grupo é aberto, qualquer um pode dizer que não está gostando de uma determinada fala, por exemplo, e nós alteramos. Portanto, no fim todos acabam sendo autores”. E as produções não pararam. Para o próximo ano, Jacob e sua turma pretendem lançar o longa Aconteceu Naquele Dia. “Como não há fim lucrativo, fazemos sem compromisso com data, mas o nosso nono filme deverá ser lançado em março de 2007”, disse. “Fazer filmes é um lazer e, além disso, estamos plantando uma semente para que, no futuro, jovens peguem essa ‘barca’ e quem sabe alguém possa um dia viver dessa arte por aqui”, concluiu.

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