Marcola e homem queimado eram íntimos


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Correspondência enviada por Cledinaldo ao líder do PCC foi apreendida pela polícia e poderá ajudar na apuração do homicídio: vítima tinha relação íntima com Marcola
Correspondência enviada por Cledinaldo ao líder do PCC foi apreendida pela polícia e poderá ajudar na apuração do homicídio: vítima tinha relação íntima com Marcola
“Salve Willian. Quem tá desse lado da linha é o Alemãozinho de Franca”. É com esta intimidade que Cledinaldo Peres Neves, 32, o homem que morreu queimado no último domingo próximo ao Jardim Aviação, em Franca, trata o líder máximo do PCC (Primeiro Comando da Capital), Marcos Willian Camacho, o “Marcola”. A carta encontrada pela polícia na última segunda-feira e que Cledinaldo enviou para Marcola no último dia 26 de junho, mas que retornou ao remetente, revela que os dois eram íntimos, tinham amigos em comum, relações com o comando da facção de Ribeirão Preto, com criminosos do Paraguai e planos para o mundo do crime em Franca. Cledinaldo estava na cidade há cerca de seis meses. Na carta ele diz que saíra recentemente de “uma faculdade no litoral” (até o fechamento desta edição, a reportagem não conseguiu confirmar se ele esteve preso em alguma cadeia no Estado ou se realmente freqüentava algum curso) e que tentava retomar suas atividades. Ele queria se tornar o líder da facção em Franca, mas encontrou muita resistência. “Eu tô aqui na cidade e não assumi ainda, pois a inveja é muita e o salve nunca chega concreto”, disse se referindo a avisos que o comando da facção deveria enviar, mas que ele não conseguia confirmar. Por duas vezes pergunta se Marcola enviou algum aviso para Franca. “Chegou um salve no dia 10/06. Era seu?”, e depois: “Se você mandou alguma situação, não chegou”. Cledinaldo reclama dos membros do PCC em Franca. “Ó Willian, aqui não se pode confiar em ninguém, nem gente da gente você conhece”(sic). Ele ainda diz que alguns membros do grupo em Franca foram “demitidos por falta de qualidade para exercer a profissão”. Mesmo sem conseguir o comando das ações em Franca, Cledinaldo fazia planos. “Willian, a situação é a seguinte: Eu tenho uma planta e preciso de alguém, de sua confiança, para me ajudar a aguar e adubar para que possamos colher. Entendeu”. A polícia não sabe exatamente o que seria a tal planta, se um assalto, um projeto para dominar a distribuição de drogas em Franca ou até um plano para reorganizar a facção na cidade. Certo é que Cledinaldo acreditava que Marcola enviaria pessoas de sua confiança para executá-lo. Na carta, ele dá o endereço de onde morava, o número do telefone celular e pedia que os enviados ficassem em um hotel. “Se for mandar alguém me procurar, mande se hospedar num hotel e entrar na sintonia comigo, pois aqui moro com meu pai e o apartamento tá cheio”. Cledinaldo ainda pedia dinheiro e um “kit”, que poderiam ser armas ou drogas. “Tô precisando de um kit para trabalhar. Por aqui tá difícil”. Ao encerrar a carta, Cledinaldo manda cumprimentos para os amigos. “Manda um forte abraço no Abel e em todos. Qualquer fita você já sabe, é nóis!” E encerra: “De seu Cledinaldo Perez Neves, o Naldo ou Alemão de Franca. Fica com Deus e se cuida” MORTE Como uma observação na carta, Cledinaldo conta a Marcola que já haviam tentado matá-lo duas vezes. Poucos dias depois, a ameaça se concretizou. Na madrugada do último domingo, ele levou tiros pelo corpo, teve os pés amarrados e foi queimado. Na segunda-feira, Maikon Rodrigues Machado, 22, foi preso pela polícia e confessou o crime. Disse que matou porque Cledinaldo fizera gracejos com sua mãe. A justificativa para um crime tão trabalhoso não convenceu. A polícia suspeita que Maikon recebeu a ajuda de mais duas pessoas, mas não acredita que o crime tenha relação com a carta. “A carta tem vários códigos e tentaremos decifrá-los. Continuamos com as investigações para apurar se o envolvimento da vítima com o mundo do crime possa ter provocado sua morte. Acho que o homicídio foi motivado por um acerto de contas”, disse o investigador Amato. Colaborou Edson Arantes

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