Na condição de testemunha, a advogada francana Adriana Telini Pedro não perdeu a oportunidade de dar o seu show particular, como fez na CPI do Tráfico de Armas, em Brasília, há três semanas, quando em dado momento, pediu para que a imprensa se afastasse, caso contrário ela se calaria. Ontem, na sala de audiências da 2ª Vara Criminal, ela pediu para que os réus se retirassem da sala. Mais uma vez foi atendida.
No entanto, como testemunha, Adriana pouco acrescentou sobre o caso de suposta tortura de policiais da Dise. Reiterou que segue perseguições do delegado Pedro Luís Dallaqua e de agentes da delegacia, embora não tenha mencionado os nomes dos demais.
O ponto alto da audiência foi no momento em que Adriana discutiu com Raquel Andruciolli, advogada do delegado da Dise. Raquel havia perguntado sobre o real relacionamento entre Adriana Telini e os agentes da Dise, e em especial sobre Pedro Dallaqua. Adriana “apelou”, dizendo, em voz alta: “O cliente é seu, você deve conhecê-lo melhor do que eu”.
Adriana Telini sustentou a tese de que sofre perseguição “por parte do delegado Dallaqua e de outros membros da Polícia”. No entanto, não declinou nomes, a não ser o do próprio delegado. Mesmo suspensa pela OAB, membros da comissão de prerrogativas, liderados pelo advogado Fernando Salomão, acompanharam a audiência para proteger Adriana Telini.
SEM FEDERAIS
A advogada francana deixou o Fórum “Alberto de Azevedo”, ontem à tarde, acompanhada do colega Rui Engrácia Garcia, mas sem a prometida proteção da Polícia Federal. Nos arredores, não se via qualquer sinal de viaturas ou agentes da PF guardando sua integridade física, conforme havia sido prometido pelo presidente da CPI do Tráfico de Armas, deputado federal Moroni Torgan (PFL-CE).
A reportagem entrou novamente em contato com o delegado da Polícia Federal em Ribeirão Preto, Auris Brizola. Ele afirmou que não houve qualquer comunicado da direção-geral em Brasília para protegê-la. “Por enquanto, não sabemos de nada”, disse Brizola, que também é responsável pelo setor de comunicação da PF em Ribeirão Preto.
A proteção foi pedida pela própria advogada francana Adriana Telini, depois da sessão secreta com os deputados federais, no último dia 11, em Brasília, quando teria detalhado a ação do PCC (Primeiro Comando da Capital) na região de Franca e teria entregado, inclusive, a relação de criminosos, alguns deles freqüentadores assíduos de seu escritório.
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