A advogada francana Adriana Telini Pedro, 35, suspensa preventivamente por 90 dias pelo Tribunal de Ética e Disciplina da seccional paulista da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), voltou ao Fórum “Alberto de Azevedo” ontem. Foi a primeira vez desde o dia 21 de maio, quando o jornal Comércio da Franca publicou as primeiras gravações que a envolviam com o tráfico de drogas e membros do crime organizado. Ela depôs como testemunha de acusação no processo por crime de tortura que um de seus clientes move contra o delegado Pedro Luís Dallaqua e agentes da Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes). Depois de enfrentar cerca de 35 minutos de perguntas, Adriana percorreu os corredores forenses da forma mais natural possível.
Adriana chegou pouco antes do depoimento, marcado para as 14h30, acompanhada do advogado criminalista Rui Engrácia Garcia, que a seguiu até à sala de audiências. Depois do depoimento, mais à vontade, Adriana começou a desfilar pelo Fórum. Primeiro, recebeu permissão do juiz para que levasse o termo do depoimento que acabara de prestar à sala da OAB para a extração de fotocópias.
Sentada na cadeira e com as pernas cruzadas, com a direita em cima da esquerda, recebeu cumprimentos de alguns colegas aparentemente saudosos de sua presença. Trocou beijos com alguns deles. Prontamente atendida, voltou à sala de audiências e devolveu as folhas originais do seu depoimento passado a limpo. Sempre sorridente.
Pelos corredores dos prédios criminal (novo) e cível (antigo), se comportou como se estivesse na ativa. Reencontrou colegas, colocou as conversas em dia, algumas ao pé do ouvido com amigas mais próximas. Nem todos a viram no Fórum com bons olhos, mas preferiram não hostilizá-la. Com um ambiente favorável, Adriana se sentiu à vontade. Enquanto isso, o fotógrafo do Comércio, Tiago Brandão, foi impedido por funcionários que alegaram terem recebido ordens da juiza Julieta Maria Passeri de Souza, diretora do Fórum, de realizar fotos nas dependências internas de um local público.
Embora suspensa pela OAB (a punição só a impede de fazer petições e representar clientes em audiências e diligências), Adriana Telini Pedro esteve nos cartórios das três varas de Família e Sucessões para retirar certidões de honorários que autorizam os advogados a receber dinheiro do Estado das causas em que atuam na Assistência Judiciária da OAB.
Antes de sair, aguardou o seu defensor, o também advogado Rui Engrácia Garcia que havia ficado em um cartório criminal examinando processos. Ao contrário de quando chegou de Brasília, onde depôs na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Tráfico de Armas e se escondeu debaixo de um cobertor na porta de casa, Adriana Telini perdeu a timidez e até sorriu.
Abordada pela reportagem fora das dependências do Fórum “Alberto de Azevedo”, preferiu o silêncio e continuou caminhando. Só Rui falou: “Respeitem a vontade dela”. Em seguida, ambos atravessaram a Avenida Major Nicácio e entraram no automóvel do advogado, um gol branco, estacionado no canteiro central. E foram embora.
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