Seis ou meia duzia?


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Os trabalhadores das indústrias de calçados de Franca têm até o dia 9 de agosto para escolher quem assumirá o comando do sindicato da categoria. A eleição será nos dias 7,8 e 9. Há 20 anos, as eleições acontecem sem grandes disputas, uma chapa se inscrevia e, conseqüentemente, herdava a presidência. Neste ano, os ex-aliados se dividiram. Duas chapas foram criadas e a disputa promete ser acirrada, mas só no discurso. As duas defendem propostas praticamente iguais e têm origem semelhante. Paulo Afonso Ribeiro - presidente por 6 anos da entidade e atualmente licenciado do cargo para disputar as eleições para deputado estadual - é o líder da chapa 1, a ASS (Alternativa Sindical Socialista). Quem encabeça a chapa 2 é um dos atuais membros da diretoria da entidade, Milton da Silva. Os dois têm (ou tinham) uma histórica amizade. Milton começou a trabalhar na diretoria do sindicato há 20 anos. Paulo Afonso, há 12. Desde o começo os dois sempre estiveram juntos. Há duas eleições Milton apóia a chapa presidida por Paulo Afonso. A proximidade é tanta que até no programa independente A Voz do Sapateiro, que vai ao ar pela rádio Difusora AM todos os sábados, é Milton quem substitui Paulo Afonso afastado para disputar as eleições para deputado. As semelhanças entre os dois não são restritas ao trato pessoal. Os objetivos e prioridades das chapas lideradas por eles também são praticamente iguais. A reportagem do Comércio fez um levantamento com as principais propostas dos candidatos. O fim da terceirização (como bancas de pesponto e de corte) irregular, do banco de horas e o combate aos incentivos fiscais que levam empresas a deixarem o Estado, são defendidos por ambos. Só quando o assunto são as reformas trabalhistas e sindicais que o governo pretende implantar, as opiniões se desencontram, ainda assim, apenas em partes. Milton, apoiado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), defende as mudanças e acredita que elas beneficiam a categoria. Para Paulo Afonso, a reforma também é necessária, mas pontos como ampliar a negociação direta entre patrões e empregados, são absurdos. “Ela centraliza o poder na cúpula das centrais sindicais e transforma os sindicatos em instrumentos a serviço dos interesses dos patrões”, disse (leia mais no quadro). GUERRA NA RUA Apesar dos anos de amizade e dos objetivos em comum, o clima entre os dois começa a esquentar. Os sindicalistas garantem que não partirão para ofensas pessoais, mas Milton já chegou a dizer que Paulo Afonso só usa a campanha do sindicato para promover sua candidatura a deputado. “Eles desejam utilizar nossa organização para candidaturas a deputado e contra o Lula, acreditando num fortalecimento”. Paulo Afonso garante que não. “Minha campanha política começa depois das eleições do sindicato”. Há duas semanas os dois começaram a fazer campanha na porta das fábricas na tentativa de conquistar a confiança dos trabalhadores. No total, a entidade acredita que existam 18 mil sapateiros em Franca. Apenas 3 mil estão aptos a votar nas eleições do sindicato. Para o cortador de calçados Flávio Luís Andrade, a disputa não favorece a classe. “O certo era unir forças e lutar juntos como nos últimos anos”, disse. Já a pespontadeira Kelly Cristina Silva acredita que a escolha pelos sapateiros é a melhor forma de manter uma classe bem representada. “É bom que possamos escolher. Isso é democracia”.

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