Eles vão ao cinema toda semana (às vezes mais de uma vez), assistem a DVDs em casa quase todos os dias, participam de grupos de discussão virtuais sobre cinema, lêem revistas especializadas, saem da sala de exibição e discutem o filme ao qual acabaram de assistir, assistem a muitos filmes mais de uma vez, conversam sobre a fotografia e a trilha sonora e já saíram de uma sessão e logo depois entraram em outra. Se você reúne essas características pode se considerar um cinéfilo, ou melhor, um “apaixonado quase viciado” em cinema.
Mas de onde vem tanta paixão? Na maioria dos casos, da sedução causada pela tela grande, da possibilidade de vivenciar histórias diferentes e do colírio para os olhos que são os belos filmes.
Para Lucas Teles Andrade, 24, o encanto da “telona” começou quando tinha 7 anos e foi ao cinema pela primeira vez assistir a Os Trapalhões e o Auto da Compadecida. Naquele momento, aprendeu que assistir a um filme naquela tela gigante era bem melhor do que na televisão. Hoje, ele é um apaixonado pela sétima arte.
Praticamente todos os dias assiste a um filme. Quando não é no cinema, é em casa. “Eu assisto a 95% dos filmes que entram em cartaz em Franca”, contabiliza. Para o DVD, deixa alguns de seus prediletos, mas que dificilmente entram no circuito dos cinemas de Franca. São os chamados filmes cults, que se traduzem, principalmente, em produções européias e asiáticas. Sobre os chamados filmes “água com açúcar”, a resposta é curta e grossa: “Eu suporto.”
Para um cinéfilo como Lucas, o pior momento de sua trajetória como apaixonado por cinema foi ficar 40 dias sem assistir a um filme. Tudo por causa de uma promessa feita na última Quaresma. Ele escolheu fazer abstinência daquilo de que mais gosta e ficou 40 dias sem ir ao cinema ou assistir a um DVD em casa. “Fiquei doido. Foi bem na época do Oscar e eu perdi todos os filmes.
Infelizmente, essa foi a primeira vez que todos os indicados ao Oscar foram exibidos em Franca. Nunca mais faço isso”, garante.
Uma outra característica dos cinéfilos é assistir ao mesmo filme mais de uma vez. É o que fez (e faz), por exemplo, Luciano Donizete Durval, 29. Na ficha de filmes mais assistidos estão Titanic (três vezes), Gladiador (duas vezes), King Kong (três vezes), Traffic (duas vezes), 11 Homens e um Segredo (duas vezes), O Informante (duas vezes). Mas por que tanta repetição? “Na segunda vez você começa a prestar mais atenção em detalhes, entender melhor outros pontos da história”, diz Luciano.
Ao lado da noiva, Rejane Andresa Barbosa, 24, Luciano também freqüenta o cinema semanalmente, quando não mais de uma vez por semana. O aparelho de DVD em casa também é companhia constante, mas, na opinião do casal, não substitui a emoção que é ir ao cinema. “A emoção de assistir a um filme na tela grande é diferente. Principalmente quando o filme envolve grandeza, como Titanic”, garantem. Na tentativa de tentar transformar a casa em um protótipo de cinema, eles deixam tudo bem escuro e ligam o aparelho de som no DVD, para melhorar a qualidade do áudio. “Não é a mesma coisa do cinema, mas já ajuda”, dizem. “O cinema faz você se envolver naquilo que está se passando. Em casa é diferente”, completa Luciano, para quem o melhor dessa paixão é poder viver diversas situações por meio do filme (veja nesta página dicas dos cinéfilos sobre seus filmes preferidos).
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