Homem executado a tiros e queimado havia enviado carta para o líder do PCC


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Cledinaldo Peres Neves foi morto a tiros e teve o corpo parcialmente queimado em estrada de terra nos fundos do Jardim Aviação
Cledinaldo Peres Neves foi morto a tiros e teve o corpo parcialmente queimado em estrada de terra nos fundos do Jardim Aviação
Dias antes de morrer, o homem que foi encontrado morto na madrugada de domingo, com tiros pelo corpo, queimado e com os pés amarrados, enviou uma carta para o líder máximo do PCC (Primeiro Comando da Capital), Marcos Herbas Wiliam Camacho, o “Marcola”. Segundo a polícia, que não permitiu que a reportagem tivesse acesso ao conteúdo da carta, Cledinaldo Peres Neves, 32, a vítima, queria apenas ingressar na facção e pedia recursos para cometer crimes. Os investigadores não acreditam que a correspondência tenha relação com o bárbaro assassinato, mas ainda investigam o real motivo do homicídio. Na tarde de ontem, Maikon Rodrigues Machado, 22, foi preso e confessou ser o autor do crime, mas o motivo alegado por ele não convenceu. Maikon disse que o matou porque a vítima teria feito gracejos à sua mãe. Como o Comércio da Franca publicou com exclusividade em sua edição de domingo, o corpo de Cledinaldo, conhecido pelo apelido de “Alemão”, foi encontrado em chamas numa estrada de terra que dá acesso à Fazenda Santana, nos fundos do Jardim Aviação. A identificação só foi possível após um parente ler a reportagem e ver as fotos no jornal. A vítima já havia sido presa várias vezes por tráfico, receptação, furto e incêndio. Na manhã de ontem, os agentes da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) estiveram na casa de “Alemão”, no City Petrópolis, em busca de pistas que pudessem esclarecer os motivos do crime. Encontraram um caderno com vasta lista de devedores de drogas. Também apreenderam uma carta enviada ao chefe do PCC. Ela foi postada no dia 6 de junho e foi endereçada à cela 151 do Centro de Readaptação Disciplinar do Anexo em Presidente Bernardes. Cledinaldo também acrescentou um prenome a Marcola e enviou a correspondência para “Cláudio” Marcos Wiliam Herbas Camacho. A carta retornou ao remetente neste mês, pois Marcola não poderia receber correspondências. Como ainda investiga a ocorrência, a polícia não divulgou o conteúdo da carta, limitando-se a informar que ela não traz informações relevantes. “A vítima dizia ter boas condições para cometer crimes e pedia uma chance para ser batizada na facção. Não vejo qualquer ligação entre os fatos. Acho que um desacerto financeiro foi a causa do homicídio”, disse o investigador Wellington Amato. O carro da vítima, um Fiat Tipo azul, foi encontrado ontem no meio de uma plantação de sorgo, a cerca de dois quilômetros do local do homicídio. No mesmo horário, uma pessoa não identificada telefonou para o 190 e disse que o autor do crime estaria escondido em uma casa da Rua Carlos Maranha, Jardim Aeroporto. O sargento Della Mota, o cabo Bertoni e os soldados Pablo e Messias seguiram para o endereço apontado e surpreenderam o desocupado Maikon Rodrigues Machado, 22, que dormia tranqüilamente. Ele confessou a autoria do assassinato. Disse que agiu sozinho e que matou devido a supostos gracejos feitos pela vítima à sua mãe. “Acreditamos apenas em parte da versão. Continuaremos investigando o caso, pois acredito que ele possa ter recebido a ajuda de outras pessoas. Não descartamos a hipótese de a motivação do crime ser outra”, disse o delegado Eduardo Lopes Bonfim.

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