Secretário de Governo pressiona líderes comunitários para ataque a opositor


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O secretário de Governo, Odair Tristão, utilizou uma reunião convocada em nome da pasta que ocupa para fins particulares. Na segunda-feira, 17, Tristão leu e “pediu” a assinatura de presidentes de centros comunitários de Franca para uma declaração na qual questionava a conduta do ex-presidente do Conselho Comunitário de Franca, hoje desativado, Ademir Rosa, e enaltecia suas próprias qualidades. Rosa impetrou uma ação de indenização por danos morais, já em tramitação na 5ª Vara Cível, contra Tristão. A carta seria apresentada no processo judicial como prova da “boa conduta” do secretário . Na última segunda, Odair Tristão comandou um encontro com presidentes de centros comunitários da cidade. Três deles confirmaram ao Comércio que o secretário leu a carta e pediu aos presentes que a assinassem. Todos preferem manter sua identidade em sigilo por medo de retaliações. Um disse à reportagem que o documento lido e comentado por Tristão “depunha contra Ademir” e passou de mãos em mãos durante o encontro. “Constava o nome de cada presidente e o espaço para a assinatura. Pelo que vi, a grande maioria assinou. Não houve nenhum tipo de ameaça, mas não deixa de ser uma pequena saia justa Não deixa de ser esquisito”, disse. Odair Tristão é o titular da Secretaria que coordena e dá apoio às ações dos Centros Comunitários de Franca. Qualquer liberação de benefício passa pelo crivo do secretário. A escolha dos entrevistados de não permitir que seus nomes fossem mencionados na matéria demonstra quanto qualquer tipo de animosidade com Tristão pode prejudicar uma associação de bairro. DEFESA Odair Tristão confirmou que leu a declaração e repassou aos presidentes de Centros Comunitários para que eles a assinassem. O secretário afirmou que tudo não passou de uma tentativa de defesa. “Há uma ação judicial contra mim e eu tenho que me defender. E me defenderei.” Tristão não negou que tenha pedido ajuda para essa defesa, mas, para ele, só a amizade levou os presidentes a assinarem a carta. “São meus amigos pessoais”. Odair Tristão ainda tentou dizer que foram alguns líderes comunitários que elaboraram a carta. Eles teriam apresentado documento a Tristão há cerca de uma semana e sugerido que ele providenciasse a assinatura de outros colegas. Os entrevistados pelo Comércio que estiveram na reunião negam. Todos atribuíram ao secretário a elaboração da declaração. “Ele é perigoso, aquele homem lá (Odair)... Tenho medo de ele me prejudicar. Nossa Senhora!”, concluiu um dos presidentes entrevistados pelo Comércio. REINCIDÊNCIA Em fevereiro deste ano, Tristão já havia superado os limites de sua atuação como secretário. Ele planejou uma intervenção ilegal no Centro Comunitário do Jardim Paineiras. No dia 19, um domingo, obrigou pessoalmente três funcionárias da prefeitura a irem ao bairro formar uma nova associação de oposição à já existente e favorável à administração Sidnei Rocha (PSDB). Para o deslocamento, usou arbitrariamente um veículo da Guarda Civil Municipal e um guarda como motorista. A ação foi denunciada pelo Comércio da Franca e acusações de Tristão contra o presidente do Centro, Ademir Rosa, motivaram o processo do qual o secretário tenta se “defender”.

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