A leitura dos jornais da capital, com a necessária e oportuna faina de divulgação dos órgãos do interior, continua a apontar para todo o País a imensa avalanche da improbidade que está desonrando grande parte dos políticos que atuam na Câmara e no Senado. E essa posição de saneamento se torna cada vez mais preocupante nestas vésperas das eleições nacionais. Trata-se de um trabalho penoso mas patriótico mostrar ao eleitorado o perigo que ameaça as urnas, caso voltem a ocupar os postos, fundamentos da representação popular.
Para se ter idéia da revolta com que a imprensa paulista ataca os violadores da ética e do direito, pertencentes à maioria dos partidos no Brasil, basta tomar ciência da manchete que o Estado de S.Paulo publicou na edição do dia 19 último, na pág. A-3, com a responsabilidade de sua redação: “Enxame de vampiros”. E a Folha de S.Paulo, também em sua edição do mesmo dia 19, registra os casos de fraude dos parlamentares em sua pág. A-7: “82% dos sanguessugas são da base aliada”, enumerando na mesma página os 57 nomes. E nisso se baseia na relação do presidente da CPI, deputado Antônio Carlos Biscaia.
A leitura do editorial do Estadão, com a energia cívica de suas tradições, dá uma mostra da tentativa de reeleição dos “sanguessugas” e dos “mensaleiros”, esclarecendo que 88% dos atuais 454 deputados querem reeleger-se.
A imprensa não inventa fatos criminosos, mas quando esses fatos vêm a lume, em divulgação responsável, como no editorial do Estadão, os eleitores podem tomar conhecimento do “chefe dos sanguessugas”, na pessoa do Sr. Luiz Antônio Vedoin. Esses fatos, bem como os apontados pela “Folha”, deverão ser aproveitados na campanha política ora em marcha.
É verdade que as denúncias que há tempos são divulgadas em torno dos beneficiados pelo “mensalão” e pelos “sanguessugas” já chegaram ao conhecimento do TSE e que processos já estão em curso. E todos os cidadãos conscientes de seu ardor cívico esperam que uma decisão desse Tribunal possa impedir a vitória desses marginais que procuram enfraquecer a democracia. Ficaria bem publicar em todo o País, no entanto, um conceito antigo do Prof. Araújo Castro, em sua obra “Instrução moral e cívica”, onde sublinha: “Não basta que o homem seja bom e virtuoso na sua vida particular; mister se torna que pratique a moral cívica, isto é, seja bom cidadão, procurando observar estritamente os seus deveres para com a Pátria”. Os eleitores ganhariam luzes votando com esse dogma.
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