Adolecência alcoolizada


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Nos dias de hoje, os jovens estão começando a ingerir bebidas alcoólicas cada vez mais cedo. O excesso de baladas, a falta de uma postura rígida dos pais, a influência dos amigos, problemas familiares e psicológicos, a auto-afirmação perante a sociedade e outros fatores podem ser apontados como a causa do problema. “O ser humano é movido pela busca de prazer. Os jovens utilizam o álcool iludidos por um sentimento de bem-estar, felicidade, auto-afirmação. E a sociedade aceita, estimula. O álcool é uma droga”, alerta o psiquiatra Gustavo Porto. O uso contínuo de bebidas alcoólicas pode trazer grandes prejuízos aos adolescentes. Além de aumentar os riscos de acidentes automobilísticos, afetar o desempenho escolar e provocar perda de memória, a ingestão de álcool afeta em potencial o organismo do usuário. “O alcoolismo é uma doença organo-cerebral, responsável por muitos danos na vida bio-psico-social do dependente. Várias doenças provêm deste vício”, completa Gustavo (confira entrevista ao lado). Embora proibida por lei, a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos é prática comum em Franca - e em todo o País - mediante a comercialização em bares, supermercados e lojas de conveniência. “É muito fácil comprar bebidas na cidade. Quase todos os bares nos vendem. Eu e minha turma costumamos fazer festinhas com bebidas alcoólicas todas as semanas”, afirma o estudante G M., 16. Indagado se seus pais sabem que ele bebe, o jovem foi enfático. “Claro. Nas festas de família e churrascos costumo beber com meu pai”. A mídia também desempenha um papel importante no “arrebanhamento” de jovens para a vida alcoólica. Comerciais de televisão e propagandas em revistas com belas mulheres e homens, vivendo felizes em cenários paradisíacos, têm o poder de despertar a curiosidade sobre como é a bebida em um jovem de 12, 13 anos. “A sociedade assiste estupefata à apologia das bebidas alcoólicas em comerciais de televisão e outdoors. Tento policiar meus filhos ao máximo, mas não sei até quando serei capaz de deixá-los longe da bebida. Disputar com a mídia e com a influência dos amigos é uma tarefa difícil”, afirma a empresária Sílvia Maria Camargo, 42, mãe de dois adolescentes de 14 e 16 anos.

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