Todos necessitamos de descanso após um árduo trabalho. O cansaço físico pesa sobre nós e é facilmente destruído quando um bom banho ou uma alimentação nos são oferecidos. Muitos encontram alívio por meio de uma boa música e o “diálogo” também repõe as forças perdidas pelo caminho. O evangelho da missa deste domingo nos apresenta a seguinte situação; ao retornar da sua missão, os Apóstolos são convidados por Jesus a repousar um pouco.
Os Apóstolos se reúnem ao redor de Jesus, contam-lhe o que fizeram e ensinaram, e ele os convida a passar algumas horas em sua companhia, em algum lugar isolado, longe da multidão. Sobe com os discípulos no barco e se afasta no lago.
Os Apóstolos deviam estar felizes, mas também muito cansados. A multidão sai atrás e chega primeiro e os recebe. Ao ver a multidão que O espera, Jesus não se irrita pelo repouso frustrado, mas calmamente põe-se de novo a ensinar ao povo.
Jesus quer preparar um grupo de discípulos que deverão ser, após sua partida, os animadores e os pastores da comunidade. Assim fazendo, Ele não abandona o povo para preparar uma elite; não se afasta das multidões; apenas provê a elas de uma outra forma; preocupa-se com o futuro da Igreja. Portanto, diante da multidão desorientada, Jesus sente uma profunda compaixão.
Jesus não tem palavras ou atitudes agressivas, mas senta-se ao lado de todos que se sentem aflitos e dialoga, entende os problemas e as situações do seu povo e com paciência divina ajuda a construir a paz.
O evangelho diz: “Jesus compadeceu-se da multidão, porque era como ovelhas que não têm pastor”.
O trecho do evangelho nos faz pensar que o bom pastor sai à procura das suas ovelhas, mas que as ovelhas também devem procurar o seu pastor; a multidão saiu atrás de Jesus. Muitas vezes nossas comunidades paroquiais criticam seus pastores e se esquecem de manter a “prontidão” do coração para ouvir o que o Mestre tem a falar por meio de seus ministros.
Aquele que recebe o chamado para ser “pastor” deve possuir disponibilidade e com zelo cuidar das suas ovelhas. As ovelhas, por sua vez, devem ser como os alunos que querem aprender à medida que ouvem seus mestres e buscam de forma coerente seguir tais ensinamentos pela permanente conversão do coração.
Nosso Pastor é Jesus de Nazaré, enviado pelo Pai para guiar os homens desorientados como ovelhas sem pastor. O salmo 22 nos ensina a rezar assim: “Tu és Senhor o meu Pastor, por isso nada em minha vida faltará. Pelos prados e campinas verdejantes eu vou, é o Senhor que me leva a descansar. Junto às fontes de águas puras eu irei repousar, minhas forças o Senhor vai animar”.
Sejamos ovelhas do rebanho deste Pastor que dá sua vida por nós.
PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca.
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