UNI-FACEF copia prova da OAB


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“A tentação do plágio: quando um autor perde a capacidade de resistir ao mal, o plágio se consuma. O ato de plagiar é considerado um crime. Em seu julgamento, o réu é acusado de premeditação, falta de escrúpulos, desonestidade e falta de ética profissional. Aos poucos, os argumentos condenatórios resvalarão para o campo da moral. No comportamento anterior do réu são buscados indícios de vileza, vulgaridade e lascívia. Com tão pungente libelo acusatório, o veredicto final só poderá ser a condenação ao ostracismo intelectual. Claro que a defesa poderá sempre alegar que o crime foi passional, argumentando que o acusado não resistiu a um impulso irracional de apropriação indevida da criação alheia e agiu por amor, não por inveja ou cobiça. Se um texto é uma espécie de filho que colocamos no mundo, a moral nos ensina que o melhor é que não seja fruto de um incesto. O plágio é um incesto que realizamos com um irmão ou irmã de ofício, que nos seduziu através do seu texto. A atração por plagiar tem como causa um desejo incestuoso do qual nos afastamos, nos resignando à imperfeição do nosso próprio texto. Quer seja o plágio considerado como um vulgar crime motivado pela falta de ética, ou como um ato passional, e até mesmo um incesto, no mundo das letras não conseguimos evitar um sentimento misto de repulsa e compaixão pelo criminoso plagiário, considerado mais uma pobre vítima de uma tentação demoníaca. Ao autor, considerado pelos pares como sério, consistente e inovador, pode ser relevada uma falta até grave em sua vida privada. Dificilmente, porém, lhe será concedido o perdão por um plágio comprovado e às vezes apenas presumido. Podemos, então, concluir que uma interdição tão severa como a que paira sobre o ato de plagiar só pode mesmo ser explicada pela existência de um desejo de transgressão que tenha a mesma intensidade” (autor: Walterlucio de Alencar Praxede - publicado na Revista Espaço Acadêmico - Ano III, n.o 24/maio 2003). O texto acima bem se aplica ao caso em comento, nada mais necessário acrescentar. Ronaldo Moreira é advogado

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