Raízes do campo


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Eles moram na cidade, mas ainda têm um pé na roça. Nasceram em fazenda, passaram a infância colhendo fruta no pé para comer. Hoje, são homens trabalhadores. Márcio Aurélio Taveira, 42, é representante comercial. Pedro Geraldo Machado da Silva, 44, tem uma banca de pesponto. Essa é a vida que os amigos levam de segunda a sexta, em horário comercial. Nos fins de semana ou momentos de folga, são apenas Márcio Aurélio e Pedrinho, dupla que gosta mesmo é de pontear a viola e cantar uma boa moda. Nas últimas semanas, os dois têm se encontrado mais vezes. Para ensaiar. Afinal, estão entre os 60 classificados para o Festival Viola de Todos os Cantos, produzido pela EPTV e do qual participam pela terceira vez. Classificaram-se na categoria Intérpretes com a música Raízes do Campo, dos compositores barretenses Mário Fernando e Wilson Caetano de Araújo. Eles ensaiaram bastante para fazer bonito hoje, no palco que será montado em Barretos para a abertura da fase eliminatória do festival. A música que escolheram para interpretar tem tudo a ver com a história de vida que carregam. “Ainda hoje preservamos nossas raízes do campo”, diz o refrão. E é isso mesmo que eles fazem. E com orgulho. Mário Aurélio e Pedrinho não são adeptos do “sertanejo pop/romântico”, por assim dizer. Gostam mesmo é da música de raiz. Aquela dos bons e velhos tempos do Zé Fortuna, um dos compositores que a dupla mais admira. “Nós fazemos música de raiz. Essa música romântica que só fala de peão e cerveja e é feita para as pessoas dançarem e beberem não é a nossa área”, explica Márcio Aurélio. “Essa música pop não completa nem por fora nem por dentro”, ironiza Pedrinho. E nem poderia ser diferente. Nascidos na roça, eles foram criados ouvindo a legítima música sertaneja de raiz. Fosse no rádio ou no dedilhar do violão dos pais e amigos. Todo o aprendizado musical dos amigos foi assim, de ouvido. A grande queixa da dupla é com relação ao mercado para o tipo de música que fazem, embora, na opinião deles, o espaço esteja crescendo para esse setor. Mas ainda há muito por onde caminhar. Em Franca, por exemplo, são poucos os lugares onde têm a oportunidade de mostrar o trabalho. Então, acabam tocando mais para o próprio lazer, em grupos de amigos. Eles garantem que a grande meta ainda é “viver de música”. “Ainda dá tempo”, dizem. É em busca desse sonho que eles levam o dia-a-dia. Já estão com um CD gravado e esperam conseguir colocá-lo no mercado em breve. “Ainda faltam algumas finalizações, capa, encarte. Mas esperamos que no ano que vem possamos comercializá-lo”, disse Pedrinho. Ao todo, o disco terá cerca de 12 músicas, das quais duas são da dupla. “Nós queremos fazer bem feito. Escolhemos músicos de qualidade, boas canções. O baterista, por exemplo, é o mesmo que toca com Rionegro & Solimões e que gravou o DVD de Rick & Renner”, explica Márcio. O principal entrave é financeiro. Afinal, produzir um bom disco não é barato quando se precisa bancar tudo do próprio bolso.

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