A comissão fantasma


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Jepy Pereira (PSDB), Marcelo Valim (PSDB) e Maurício Chinaglia (PSB) formam a Comissão de Justiça e Redação (CJR) da Câmara Municipal de Franca. Eles são responsáveis por analisar se as propostas divergem ou não da Constituição Federal e se estão bem redigidas. Pelo mesmo regimento, eles deveriam se reunir uma vez por semana para estudar os projetos e dar parecer contrário ou favorável a cada um deles. Deveriam. Pelo menos neste ano, nenhum encontro do trio ocorreu. Quando perguntados sobre quando foi a última reunião da CJR, as respostas foram as mais diferentes. Chinaglia, depois de cerca de dez segundos de silêncio, admitiu: “Nunca houve reunião”. Valim, sem pensar tanto, disparou: “Não nos reunimos”. Jepy, assustado, tentou puxar pela memória: “Foi há 15 dias”. Depois, entre um e outro esclarecimento, reconsiderou. “Não sei nem se foi uma reunião. Eu e o Valim conversamos. Nenhuma comissão aqui na Câmara se reúne”. Para Valim, a justificativa é a falta de disponibilidade de alguns vereadores. “Por mim, não teria problema nenhum em nos reunir. Mas tem vereador que não pode comparecer à reunião. Como é que eu vou marcar com o Jepy amanhã às 15 horas? Não dá, porque ele trabalha”, disse. O advogado Jepy diz que reuniões não são necessárias. “Os projetos são enviados para a minha casa. Eu analiso, oriento a assessoria jurídica, que redige o parecer”, disse, sem considerar que o regimento interno exige um encontro por semana. Nos bastidores é consenso que, na verdade, quem emite os pareceres é a assessoria jurídica da Câmara. Ninguém confirma. O mistério é que, minutos antes da votação, os projetos vão às mesas dos membros da comissão para que eles assinem e os pareceres já aparecem prontinhos. Como?

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