Cida e Suzane não se conhecem. Ambas têm histórias de vida completamente diferentes. Uma é de família rica e foi criada em bairro nobre de São Paulo. A outra, sem as mesmas condições financeiras, cresceu no Jardim Aeroporto, periferia de Franca. Em comum, ganharam fama nacional por cometerem graves crimes. A primeira matou o marido a machadadas dentro de casa enquanto ele dormia. A segunda eliminou os pais com semelhante crueldade. Por coincidência, estão prestando contas à Justiça na mesma semana.
Enquanto o julgamento de Suzane von Richthofen atrai todos os holofotes, ganha intensa repercussão e já entra no quinto dia, o de Aparecida Ferreira Rodrigues, 35, não teve o mesmo destaque e acabou em menos de três horas. A “Viúva Negra”, como ficou conhecida, foi julgada ontem no Fórum “Alberto de Azevedo”, em Franca, e condenada a 16 anos de reclusão em regime integralmente fechado por ter matado o segundo marido, o curtumeiro Carlúcio Dias de Almeida, 47. O bárbaro assassinato aconteceu na noite de Reveillon.
Cida foi levada a julgamento seis meses após matar o segundo marido com golpes de machado na frente dos filhos e do genro. Há pouco mais de 12 anos, ela protagonizou outro crime. Em março de 1993, mandou um irmão menor de idade matar o companheiro. Alegou que o marido ela violento e que havia a ameaçado de morte. Em 1996, foi julgada e condenada a sete anos de reclusão.
A “Viúva Negra” chegou ao Fórum pouco antes das 9 horas, escoltada pelo investigador Massino e pelo carcereiro Aguinaldo. Vestia uma blusa branca, saia preta e calçava sandálias.
O julgamento foi conduzido pelo juiz José Rodrigues Arimatéa. A acusação coube ao promotor Antônio Carlos Guimarães Júnior, enquanto o advogado constituído pela OAB, José Vanderlei Faleiros, atuou na defesa da ré. Começou às 9 horas e terminou ao meio-dia. Não apresentou maiores debates. Cida permaneceu quieta o tempo todo. Apenas confirmou o que dissera anteriormente em entrevistas e no interrogatório: decidiu matar o marido por supostas agressões sofridas e porque ele teria molestado sua filha. Ao ouvir a sentença, demonstrou tranqüilidade e não esboçou reações. “Ela nos disse que achou a pena justa. Já esperava por isso”, disse o investigador Massino. No início da tarde, Cida retornou para o presídio feminino de São José da Bela Vista, onde está presa desde o dia 9 de janeiro.
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