Prefeitura ameaça tirar atendimento de urgência da Santa Casa


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Corredor da Santa Casa de Franca. Falta de acordo financeiro entre direção do hospital e Prefeitura poderá provocar uma verdadeira calamidade no atendimento na cidade e região
Corredor da Santa Casa de Franca. Falta de acordo financeiro entre direção do hospital e Prefeitura poderá provocar uma verdadeira calamidade no atendimento na cidade e região
O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, reafirmou ontem que a prefeitura poderá assumir todos os serviços de urgência prestados pela Santa Casa (SC) em Franca. Contrariando a razão, Ferreira disse que o Poder Público conseguirá driblar as inúmeras deficiências que possui no pronto atendimento e acumular mais obrigações caso não haja acordo financeiro entre a prefeitura e o hospital. Na terça-feira, durante a sessão da Câmara, o secretário já havia feito a sugestão aos vereadores. Todo o atendimento seria realizado no mesmo espaço utilizado hoje pelo NGA-16 e pelos Prontos-Socorros Infantil e “Dr. Janjão”. A SC continuaria apenas com os atendimentos de emergência (quando há risco claro de morte do paciente). O secretário e a direção da fundação se reunirão hoje para discutir o assunto, mas a impressão deixada pelas partes é que dificilmente haverá consenso. O discurso do secretário é confuso e cheio de perguntas não respondidas. Ao mesmo tempo em que parece estar convicto da viabilidade da proposta, dá mostras de que pretende apenas pressionar a Santa Casa para diminuir as exigências do hospital. “Se tivermos de assumir, assumiremos. Temos médicos aprovados em concurso, bastaria a criação das vagas. No restante, também daremos um jeito. Mas não quero afirmar nada antes de encerrarmos o diálogo”, disse. Em seguida, ao ser questionado sobre as dificuldades para encontrar médicos interessados em trabalhar no “Janjão”, ficou ainda mais confuso. “Os contratados para atendimentos de urgência seriam especialistas, não emergencialistas. É outro caso”. Ferreira também não consegue explicar de onde tiraria dinheiro para implantar uma estrutura capaz de receber toda a demanda em um local que enfrenta dificuldades diariamente. Segundo o secretário de Finanças, Sebastião Ananias, os gastos com Saúde já estão no limite. “Atualmente, são investidos 22% do Orçamento na área, que é prioritária”, disse, na semana passada. DO OUTRO LADO Ao contrário do secretário, o provedor da Santa Casa, Onofre de Paula Trajano, tem uma posição clara. Disse que o hospital não vai recuar e quer receber os valores reais pelos serviços prestados que estariam defasados. Segundo Trajano, se a Secretaria da Saúde realmente assumir os serviços de urgência prestará “grande ajuda” à SC. “É obrigação dela. Se a prefeitura assumir, para nós, será ótimo”. Segundo Trajano, tais atendimentos geram um déficit mensal de R$ 191 mil à instituição. “Para nós, o atendimento de urgência custa R$ 338 mil e nos são repassados somente R$ 147 mil. Será uma forma de a prefeitura ajudar a Santa Casa”. Ao ser questionado sobre a evidente queda na qualidade dos serviços à população, pelo despreparo e falta de estrutura da prefeitura, Trajano foi irônico. “Não posso falar sobre isso, porque não conheço o valor que investirão, mas torcerei para que montem um serviço à altura, até melhor do que o nosso... Eles preferem assumir do que pagar”.

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