Sapateiros demitidos terão dois meses a mais de seguro


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Cerca de 77 mil desempregados da indústria de calçados, de móveis e do setor de tratores, máquinas e equipamentos para agricultura vão ser beneficiados com o pagamento de duas parcelas extras do seguro-desemprego. A decisão foi tomada ontem pelo Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador), que levou em consideração o desemprego agudo nesses segmentos, bastante agravado pelo atual nível do câmbio. O pagamento das duas parcelas adicionais vai custar ao Fundo de Amparo ao Trabalhador R$ 72,17 milhões. A medida chega a três meses das eleições. Esses três setores estão presentes em vários Estados, mas se concentram no Sul do País. Não é a primeira vez que o Codefat, um conselho tripartite com representação dos trabalhadores, empresários e governo, aprova o pagamento extra do seguro-desemprego. No governo Fernando Henrique Cardoso foram beneficiados com o pagamento adicional os trabalhadores desempregados das regiões metropolitanas e, no ano passado, também receberam por mais dois meses os desempregados da indústria calçadista. O pagamento normal do seguro-desemprego varia de três a cinco parcelas, dependendo do tempo de serviço com carteira assinada que o trabalhador desempregado consegue comprovar. Ele recebe três parcelas se trabalhou, nos últimos 36 meses anteriores à demissão, entre seis e 11 meses. Se comprovar entre 12 e 23 meses de trabalho nos últimos três anos obtém quatro parcelas e, acima de 24 meses de carteira assinada nos últimos 36 meses, cinco parcelas. O pagamento mínimo do seguro-desemprego é equivalente ao salário mínimo, de R$ 350,00, e o máximo chega a R$ 654,85. Segundo o secretário de Políticas Públicas de Emprego e presidente do Codefat, Remígio Todeschini, pesquisa feita por determinação do Conselho para a concessão do benefício adicional chegou ao universo de 13.869 trabalhadores do setor de máquinas agrícolas dos Estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, que poderão ser beneficiados com o pagamento extra. As duas parcelas juntas têm um valor médio de R$ 539,00. Para ter acesso ao benefício, o trabalhador deve ter sido demitido entre 1º de janeiro de 2005 a 30 de junho deste ano. CALÇADOS Na indústria de calçados a decisão do Codefat foi de estender o benefício que já foi dado no ano passado para os 43.103 trabalhadores dos Estados do Ceará, São Paulo e Rio Grande do Sul, que ficaram desempregados no período de janeiro a junho deste ano. Em média eles podem receber R$ 455,00 pelos dois meses. Além das parcelas extras do seguro-desemprego, o Codefat aprovou hoje o pré-orçamento das despesas que, obrigatoriamente, o FAT terá que fazer em 2007. Serão R$ 30,5 bilhões distribuídos entre o pagamento do seguro-desemprego (R$ 12,1 bilhões), abono do PIS (R$ 4,4 bilhões), BNDES (R$ 8,4 bilhões) e reserva de contingência (R$ 4,2 bilhões). O Codefat também reservou cerca de R$ 1,3 bilhão para as despesas de intermediação e qualificação de mão-de-obra. O orçamento deste ano para essas despesas obrigatórias é de R$ 28,6 bilhões. Em 2005 foi de R$ 27 5 bilhões e em 2004 de R$ 24,4 bilhões. De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), de janeiro a maio desse ano, 8.245 pessoas foram demitidas das indústrias de transformação em Franca (a grande maioria do setor calçadista), mas segundo o ex-presidente do sindicado dos sapateiros de Franca, esse número não representa o número de desempregados a ser benefiaciado pela medida, pois uma parte dos demitidos pode ter conseguido emprego em outras empresas devido à rotatividade típica do setor. Vânia Cristino e Lu Aiko Otta, de Brasília.

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