O secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, esteve ontem na Câmara Municipal, a convite do vereador Zezinho Cabeleireiro (PTB), para falar sobre a instalação de geradores de senha nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) para organizar filas. Acabou conversando durante cerca de duas horas com os vereadores. Depois de prestar esclarecimentos sobre os muitos problemas enfrentados pelo setor na cidade, surpreendeu a todos ao apresentar uma proposta, no mínimo, mirabolante. Disse que a prefeitura pode assumir parte dos serviços oferecidos atualmente pela Santa Casa.
Ferreira disse que, para continuar prestando os serviços, o hospital exige mais dinheiro do que a administração pode pagar. Para ele, se a instituição não ceder, a “solução” será acumular os atendimentos no prédio que já abriga o Pronto-Socorro “Dr. Janjão”, o Pronto-Socorro Infantil e o NGA-16. Ferreira só não explicou como a prefeitura, que já presta um serviço deficiente e muito criticado exa-tamente no “Janjão”, assumiria mais responsabilidades.
O secretário disse que, atualmente, a Santa Casa recebe R$ 147 mil por mês pelos serviços de urgência de especialidades. O hospital atende pacientes que precisam de consulta de emergência com ortopedistas, pediatras, psiquiatras, ginecologistas, cardiologistas e oftalmologistas. A prefeitura paga pelos serviços prestados. Para tentar manter o convênio e amenizar o prejuízo alegado pelo hospital, o prefeito aceita aumentar a verba para R$ 222 mil. Mais, não. A Santa Casa quer R$ 372 mil. “Somos parceiros da Santa Casa, estamos dispostos a ajudar, mas não temos de onde tirar a verba que eles pedem”, disse Ferreira. Caso as negociações não resultem em um acordo, a surpreendente solução encontrada pelo secretário seria prestar os atendimentos por conta própria, com a mesma verba hoje repassada ao hospital no mesmo prédio onde já funcionam os PSs. Repartições da Secretaria seriam transferidas para liberar salas.
Em meio à longa conversa com os vereadores, Ferreira se contradisse. Poucos minutos depois de garantir que absorver os serviços da Santa Casa é uma medida viável, disse que não consegue contratar médicos para o Pronto-Socorro “Dr. Janjão” com o atual esquema. Os profissionais têm receio de trabalhar no local. Ferreira não explicou como faria para convencê-los de que na nova unidade, a situação seria diferente. O secretário também não disse como bancaria os custos da nova unidade com o dinheiro atualmente repassado para a Santa Casa, hospital que já possui infra-estrutura instalada. No “Janjão”, teria que começar do zero.
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