Torneios revelam atletas, juízes e são fonte de renda


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Um emprego, um sonho, uma paixão ou apenas lazer de fim de semana. O futebol pode ser tudo isso para muitos francanos. O marceneiro Samuel Antônio Caetano, morador do Parque do Mirante, não se importou em atravessar a cidade para ir defender o América, time de chacrobol em um campeonato no Jardim Pinheiros I no fim de semana passado. “Ficar em casa não dá. Pelo menos me encontro com os amigos”. No mesmo local estava o pintor e árbitro nas horas vagas Charles Robson André, 32, morador do Leporace. O futebol é a razão de seu empenho nos bancos escolares. Terminando o ensino médio neste ano, seu objetivo é iniciar o curso superior em Educação Física para se formar como juiz da FPF (Federação Paulista de Futebol). “Antes do esquema de corrupção que foi descoberto em 2005 na arbitragem, com o segundo grau eu poderia fazer o curso na Federação. Agora eles exigem o superior e vou fazê-lo.” Charles é associado à União Independente dos Árbitros e recebe cerca de R$ 25 por partida apitada, como a que trabalhou no Pinheiros I. Esses torneios formam novos jogadores ou servem de ganha pão para outros. Há verdadeiros ídolos nessa lista, como Guilber Luís da Silva, 25. Ele já defendeu a Francana e até um time no Chile. Hoje sobrevive do chacrobol e do Campeonato Regional. “É quase profissional e mais familiar.” Habilidoso, ele fez 30 gols em quatro meses de disputa no Jd. Pinheiros, onde defende o Chelsea, time que está na final e jogará contra o América. O desempenho lhe garante R$ 400 por mês e, com a ajuda da família e da mulher, sustenta a filha de oito anos. Izildo da Silva, 38, é o res-ponsável pela organização do torneio. Ele está nesse meio há quatros anos e revela que, apesar do esforço, há recompensas. “Parei de jogar porque me machuquei. Comecei na organização por acaso e hoje isso serve de complementação de renda para minha família. Por dia de competição, tiro livre até R$ 300 com vendas de bebidas e espetinhos”, disse. Para promover a semifinal do torneio do Jd. Pinheiros, sábado passado, o sapateiro acordou às 5h30 e precisou da ajuda da mulher. É ela quem busca em um carrinho de pedreiro a cerveja vendida nas barraquinhas que montou ao lado do campo. Para a final, sábado que vem, às 15 horas, entre Chelsa e América, Izildo revela o prêmio: o campeão receberá 150 litros de chope, 15 quilos de carne e um troféu de 2,4 metros.

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