A Copa do Mundo acabou, mas - para errar menos, no futuro, evitando sair de campo com aquela amarga sensação de absoluta derrota, que só os que têm certeza de vitória sentem -podemos aprender muito com o que aconteceu. Afinal, o Brasil entrou em campo com um conjunto de estrelas e bons craques, que ganham e pensam em dólares e euros.
Assim, também acontece com relações afetivas. Quantas vezes não encontramos aquela pessoa que nos parece perfeita para uma vida compartilhada e, não muito tempo depois, começamos a perceber que a bola estranha o gramado? Parece estar sempre saindo pela lateral. Bate na trave, em vez de entrar, estourando na rede. A convivência começa a ficar complicada, como aqueles passes que os jogadores erram constantemente por falta de noção de conjunto e de entendimento.
Então, o que podemos aprender com o fiasco da seleção, que entrou na Copa como se já estivesse com a taça nas mãos? Antes de tudo, que estrelas e craques, separadamente, não fazem um time. Narcisismo não leva a bons resultados. É preciso jogar junto, saber avançar e recuar, ir em busca do gol com uma boa articulação, sem querer tudo pra si, como astro solitário em um firmamento, carregado de “estrelas”.
Tanto na vida a dois, quanto no futebol, os resultados dependem de muitos ingredientes: fazer com amor, com muito desejo e uma união que depende da sintonia fina. Mesmo na derrota, você poderá se sentir vitorioso pela capacidade de luta e confrontação demonstrada. Exemplos não faltaram nessa Copa. É importante reavaliar as falhas e insucessos, buscando sanar suas origens, para evitar uma somatória de culpas e justificativas intermináveis.
Nem sempre, tanto no futebol como na vida amorosa, a gente consegue marcar muitos gols - o importante é fazê-los com paixão. Um pode fazer toda a diferença. Então, não se trata de apostar na quantidade e sim na qualidade. Cada partida pode ser maravilhosa, instigante, inesquecível, mesmo quando se penetrou na rede aquela única e delirante vez. Isso faz com que os jogadores vibrem de uma maneira intensa.
O que entusiasma o torcedor é justamente a dança harmoniosa, entre jogadores e bola. Tudo emana uma energia vital, de maneira que o que fica na memória são os lances mais geniais, os dribles com aquele maravilhoso jogo de cintura, a intuição de parte a parte, a leveza e a força, na medida certa.
Muitos homens e mulheres que vão para a cama preocupados em se exibir, atentos apenas à própria imagem, com um desempenho muito mais individual e aeróbico, que uma parceria apaixonante, perdem a oportunidade de encontrar o ritmo e prazer, juntos. Daí, que as falhas são inevitáveis. Portanto, esteja atento para jogar a partida como ela bem merece: com garra e envolvimento. O que está em jogo é nada menos que a própria vida! Até 2010.
DR. MOACIR COSTA é coordenador do Projeto Amar Bem e Autor do livro Sem Drama na Kama, Ed. Prestigio/Ediouro
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